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Manobras
inconsistentes
Negócio da China" está no meio do caminho. Mesmo depois
de erguer um pouco a audiência do horário das seis para 20
pontos, após ter alcançado 15 de média – o ibope
mais baixo da história das novelas das seis da Globo –, ainda
não definiu sua identidade. Prensada entre "Malhação",
que com seus atrativos musicais para os adolescentes tem mantido números
satisfatórios, e "Três Irmãs", uma trama com
a cara do verão e farta de atores de peso, "Negócio da
China" continua sem dizer a que veio.
A câmara ágil do diretor Mauro Mendonça Filho sempre
tenta pontuar o clima de ação e suspense da história,
que se esvai propositalmente em alguns núcleos. A destreza do olhar
do diretor funciona normalmente nas cenas de mais adrenalina, na busca incessante
e muitas vezes cansativa pelo "pen drive" com as informações
da fortuna em euros. Nessa saga, uma profusão de referências
da trama parecem voltar à infância de Miguel Falabella. Como,
por exemplo, personagens orientais e com figurino estranho, que mais parecem
figuras abduzidas dos episódios do seriado japonês "National
Kid", sucesso nos anos 60 e 70.
Isso sem falar nas divertidas performances do núcleo português.
Com um sotaque carregado e atuações convincentes, os atores
lusitanos não têm deixado a desejar. Destaque para Carla Andrino,
que vive a emotiva Carminda. A atriz surpreende com uma segurança
em cena que vem se sobressaindo a cada capítulo. O mesmo se pode
dizer da cômica Aurora, de Maria Vieira. Seu tom escrachado e exagerado
empresta uma aura farsesca à história, o que promete agradar
ao público mais velho.
A trama parece se dividir ao tentar seduzir públicos extremos. As
lutas, os personagens inspirados em mangá e os demais "Incas
Venusianos" do imaginário de Miguel Falabella atraem o público
infantil. Esse universo constantemente se confronta com o romance açucarado
dos insossos Fábio Assunção e Grazi Massafera como
os protagonistas Heitor e Lívia.
Com personagens apáticos, os atores não conseguem demonstrar
qualquer carisma diante da repetitiva crise amorosa do casal que ainda não
criou uma identificação com o público.
Segundo Falabella, todos os tropeços do ibope desse negócio
de risco das seis são atribuídos a fatores externos, como
o horário de verão e a afirmação de que cada
vez mais pessoas não estão em casa neste horário. "É
culpa da chuva, do trânsito", insiste o autor quando questionado
sobre a baixa audiência. No entanto, no dia da estréia da trama,
que alcançou 30 pontos de média, os argumentos, com certeza,
eram outros. A chuva e os trânsito pareciam quase irrelevantes.