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Didática da vida fácil

Suzana Pires não consegue controlar as gargalhadas quando fala de Sarah, sua personagem na série "Ó Paí, Ó", da Globo. A atriz, que entra em cena no quarto episódio, encarna uma prostituta alcoólatra e espalhafatosa. Na história, a meretriz ensina às meninas do cortiço lições de como se comportar como "quengas". Tudo porque alguns estrangeiros estão filmando no local e elas pretendem faturar com isso.
"Desde Engenharia da Piranhagem a Glossário Piranhal, a função da Sarah é mostrar como as mulheres podem identificar um cliente rico e de que forma tratá-lo para que o serviço seja rentável", diverte-se Suzana, referindo-se às disciplinas trabalhadas no "curso" ministrado por Sarah.
Assim que foi convidada para interpretar a "professora", Suzana se surpreendeu com algumas coincidências com outros trabalhos que já fez.
A primeira, porque ano passado interpretou outra adepta da "profissão mais antiga do mundo", em "Paraíso Tropical". Na época, viveu Isaura, que ajudava a escandalosa Bebel, de Camila Pitanga, na fase em que a baiana chegava ao Rio. Além disso, algumas gravações de "Ó Paí, Ó" foram realizadas em uma boate na Bahia que ficava próxima ao Teatro Jorge Amado, onde a atriz apresentou a comédia "De Perto Ela Não É Normal". "Cheguei até a comentar na época que devia ser divertido entrar ali. Mas só conheci o espaço na hora de gravar mesmo", lembra.

Como a maior parte do elenco é baiano, Suzana não contou com ajuda profissional para construir o sotaque da personagem. E, garante, não precisou. Além da "consultoria particular" de alguns colegas de cena, a atriz relembrou seu primeiro trabalho em novelas para se sentir segura.
Em 1996, ela interpretou a implicante Arusa em "Tocaia Grande", da Manchete. Adaptação do livro homônimo de Jorge Amado, a história também se passava na Bahia e todo o elenco na época contou com aulas de prosódia para o trabalho. "Reativei o sotaque e foi tudo bem tranqüilo", brinca.

Além de atriz, Suzana também escreve para a tevê. Roteirista do ousado "As Pegadoras", exibido pelo canal por assinatura Multishow, Suzana é responsável por adaptar os textos enviados pelos telespectadores do programa para a dramatização. O convite surgiu do próprio diretor, Candé Salles. "Nos conhecemos desde a adolescência, quando fizemos o curso de teatro no Tablado juntos", justifica. Suzana também desempenha a função de "coach" – treinador, em inglês – das atrizes Ana Tokiko, Mirella Payola e Rhavine, que interpretam as descoladas Fê, Diana e Bárbara. "As meninas precisavam de um tom, uma nuance. É preciso que elas se enxerguem lindas para acreditarem na sensualidade das personagens", analisa.

Além de suas investidas na tevê e como roteirista, Suzana aguarda ansiosa a virada do ano. Em 2009 começam as filmagens de "Casagrande", longa-metragem que a atriz protagoniza. Dirigido por Felipe Barbosa, o filme foi o único projeto brasileiro selecionado no festival de cinema independente Sundance, idealizado pelo ator Robert Redford. Por isso, ela e Felipe passaram o mês de junho nos Estados Unidos participando do Directors e Screen-Writers Lab, programa de apoio a projetos cinematográficos do Instituto Sundance. "É um mergulho total. Você faz suas refeições em meio a reuniões com as pessoas e convive com gente que tem estatueta de Oscar na prateleira. Foi difícil não me mostrar deslumbrada", confessa Suzana, que saiu do laboratório direto para as gravações de "Ó Paí, Ó".