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ARTIGO
A obesidade provoca danos à saúde
do animal
Leila M. Costamilan, Julio C. B. Lhamby e Emidio R. Bonato - Pesquisador
Ao utilizar
o plantio direto, o agricultor deve fazer a rotação de culturas.
Caso contrário, corre risco maior com os fungos.
O sistema de plantio direto vem sendo adotado por um número cada
vez maior de agricultores. Com esse sistema de manejo agrícola, a
rotação de culturas torna-se obrigatória para o uso
racional da área.
Do ponto de vista fitossanitário, a rotação de culturas
com espécies que não são suscetíveis a doenças
comuns é fundamental, ao romper o ciclo de vida de alguns microorganismos
causadores de doenças, que sobrevivem nos restos culturais em decomposição.
São os chamados microorganismos necrotróficos, que têm
a capacidade de “esperar”, entre uma safra e outra, por sua
cultura preferida, ou hospedeira, nos restos culturais. Assim, se plantas
jovens de soja encontrarem restos culturais de soja da safra anterior ainda
no campo, há maior probabilidade de desenvolvimento mais severo daquelas
doenças cujos microorganismos causadores sejam necrotróficos.
Isso também pode ocorrer com trigo, com milho e com outras culturas
anuais. A rotação de culturas abre um espaço de tempo
para a decomposição dos restos culturais contaminados, favorecendo
a destruição de microorganismos pela falta de alimento novo,
ou seja, espécies hospedeiras na nova safra.
Período
de decomposição - No caso de soja, quanto tempo leva para
que seus restos culturais sejam decompostos? Os fungos necrotróficos
permanecem vivos nesses restos até a decomposição,
ou podem morrer antes? E as culturas sucessoras, têm influência
sobre a decomposição dos restos e sobre a sobrevivência
desses fungos? Para responder a essas perguntas, montou-se um experimento
em Passo Fundo, RS, no campo da Embrapa Trigo.
Mensalmente, foram sorteadas cinco subamostras de um metro quadrado por
parcela, sendo coletados todos os restos culturais de soja da superfície
do solo, que foram lavados e deixados secar em temperatura ambiente. Esses
restos foram pesados após 48 horas. Os fungos presentes nos restos
culturais foram identificados após sete dias de incubação
sobre meio de cultura.
No campo, cada parcela foi cultivada com uma cobertura vegetal diferente,
formando-se três seqüências de cultivo ao longo do período:
I (trigo-milho-aveia-milho-ervilhaca), II (aveia-milho-ervilhaca-milho-trigo)
e III (ervilhaca-milho-trigo-milho-aveia).
Resultados
da pesquisa - Como resultado, observou-se que as três seqüências
de culturas apresentaram o mesmo efeito sobre a decomposição
dos resíduos de soja, sendo esta mais rápida até os
primeiros 200 dias após a colheita, correspondendo ao período
maio-novembro, continuando de forma constante e lenta até agosto
do próximo ano, quando foram encontrados os últimos restos
de soja.
Nas diferentes seqüências de culturas e em todos os meses amostrados,
as espécies Macrophomina phaseolina (agente causal da podridão
negra da raiz), Fusarium spp. (gênero do agente causal da podridão
vermelha da raiz) e Rhizoctonia solani (agente causal do tombamento de plântulas
e da morte em reboleira) foram sempre detectadas. Phomopsis spp. (gênero
do complexo Diaporthe/Phomopsis, agentes causais da deterioração
de sementes, de crestamento da haste e da vagem e do cancro da haste) não
foi mais recuperado a partir de maio, na seqüência II, e a partir
de junho, na seqüência I. Na seqüência III, ocorreu
novamente em agosto, após dois meses de não detecção.
Assim, verificou-se que o período para a decomposição
total dos restos culturais de soja, nas condições de Passo
Fundo, foi 27 meses. Não houve influência das três seqüências
de coberturas vegetais sobre a decomposição dos resíduos
de soja em todos os meses amostrados, com exceção de agosto,
quando as seqüências I e II diferiram da seqüência
III.
Também não foi constatada influência sobre a incidência
dos fungos dos gêneros Macrophomina, Fusarium, Rhizoctonia e Phomopsis.
A habilidade de competição saprofítica e as estruturas
de resistência de Fusarium, de Macrophomina e de Rhizoctonia permitem
que esses fungos permaneçam viáveis por muito tempo em uma
área. Para Phomopsis, como a sobrevivência está ligada
à decomposição dos restos culturais, pode-se considerar
seus propágulos não viáveis após 27 meses da
colheita de soja, nas condições climáticas de Passo
Fundo.