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Pólo da Tilápia dará suporte ao biodiesel no Rio Grande
do Norte
Já a partir de 2008, a produção
de biodiesel no Rio Grande do Norte terá um suporte significativo
com mais áreas disponíveis ao plantio de sementes que servem
de matéria-prima à produção do biocombustível,
como as de girassol, por exemplo. O importante anúncio para a economia
potiguar foi feito na sexta-feira (18), pelo vice-governador e secretário
estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Iberê Ferreira
de Souza, durante a visita ao Pólo da Tilápia do Mato Grande,
construído com o apoio do Governo do Estado no assentamento Aracati,
município de Ceará-Mirim.
"O Governo do Estado tem total interesse em iniciativas como esta,
ainda mais vindo de um assentamento tão bem sucedido como o de Aracati,
com um trabalho tão sério e consolidado no mercado. Viemos
ouvir as experiências e mostrar que queremos contribuir, tanto que
já estamos viabilizando um convênio com a Petrobrás
para comprarmos toda a produção, não só do girassol
daqui, mas também do algodão de outras áreas do Estado",
disse Iberê.
O projeto, realizado pelo Governo do Estado, através da Emater-RN,
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e vários
parceiros públicos e privados, beneficia atualmente mais de 160 famílias
através da piscicultura, com uma produção mensal superior
a cinco mil quilos de tilápia. Mas com a evolução de
outras culturas bem sucedidas na área, como a de hortifrutigranjeiros,
surgiu a necessidade natural de um novo plantio, daí a idéia
do cultivo do girassol para produção do biodiesel. A meta
inicial é plantar de imediato a semente numa área de dois
mil hectares em vários assentamentos do Mato Grande e iniciar a colheita
em meados de junho. A expectativa é de que no futuro sejam atendidas
pelo menos 500 famílias dos 15 municípios integrantes da região
do Mato Grande.
"Com um trabalho sério estamos crescendo gradativamente, ganhando
respeito dos órgãos públicos e privados e construindo
cada vez mais parcerias. O Governo do Estado e a Petrobras vão comprar
nossa produção de girassol e não teremos problemas
de falta de crédito, já que o Banco do Brasil terá
mais de 30 agências com financiamentos específicos para o biodiesel",
destacou Livânia Frizon, presidente da Cooperativa dos Produtores
de Canudos (COOPEC), uma das agrovilas do assentamento.
Além da produção de girassol, os agricultores também
vão trabalhar de forma experimental com o plantio de outra oleaginosa,
o pinhão manso.
RENDA - A criação
de tilápias trouxe também outras perspectivas aos agricultores
familiares. Uma iniciativa, já em desenvolvimento no assentamento
Aracati, são os hortifrutigranjeiros. Para diversificar o cultivo
- antes centrado no mandiocal - a água fertilizada dos tanques (renovada
obrigatoriamente) está sendo utilizada na irrigação
das hortas.
"Estamos plantando, nos quintais de nossas casas, alface, cebola, coentro,
tomate", exemplifica Francisco Félix da Silva. Segundo o agricultor,
até as próprias mandiocas começam a ter maior produtividade
com a irrigação riquíssima em adubos (estercos, soja
e milho). São 18 tanques para piscicultura, cada um tem entre 25
e 75 metros, com 1,3 milhão de litros. Cerca de 10% da água
renovada, mensalmente, vai para a plantação.
O cultivo de plantas oleaginosas servirá ainda para redução
de custos com ração. Em vez de adicioná-los à
gasolina, o girassol e o sorgo vão substituir a soja e o milho, importantes
para alimentação dos peixes.