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Tarso Genro diz que sistema partidário brasileiro está falido
Ao participar ontem de debate sobre os 20 anos da Constituição
Federal, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse que o sistema partidário
brasileiro está falido. Na opinião do ministro, os partidos
políticos atualmente têm um comportamento distinto do que esperam
a sociedade e o parlamento brasileiro.
"Eu acho que há um bloqueio no sistema político brasileiro
e o sistema partidário está falido. Não há nenhuma
correspondência programática do partido com o seu comportamento
na sociedade e no parlamento.
Representa muito mais interesses regionais, mas não estão
vinculados a um etos político-patidário que possa dar dignidade
mínima ao sistema partidário. Funcionou bem até agora,
mas temos que mudá-lo", afirmou.
Tarso disse, porém, que suas críticas são direcionadas
ao sistema partidário, e não diretamente a cada legenda. "Eu
falei no sistema, não falei nos partidos. Eu não acho que
o PSDB, o DEM estejam falidos nem o PT. Eu acho que o sistema está
falido pela ausência de correspondência entre a cultura dos
partidos e sua ação efetiva na sociedade", afirmou.
O ministro disse que a reforma política, em especial a proposta de
listas fechadas, poderá minimizar os impactos negativos do sistema
partidário no país.
"Pode ajudar a resolver se tivermos a votação em lista,
com a dura e democrática legislação que regule a vida
interna dos partidos para que não se crie o que o presidente Fernando
Henrique Cardoso falou que é a oligarquia do partido, que seria outra
deformidade", afirmou.
Ao criticar a demora na aprovação das reformas política
e tributária pelo Congresso, Tarso disse que o Estado de São
Paulo é em grande parte responsável pela lentidão das
mudanças.
"Temos elites em todas as regiões. São Paulo tem a elite
mais forte do país. Isso faz com que a pauta de São Paulo
seja quase sempre predominante. Isso leva a uma contradição.
Se comunica pouco com a agenda do resto do Brasil. A reforma tributária
se torna menos importante para SP porque é Estado mais forte e mais
rico. Não é juízo de valor, mas fato que as lideranças
de São Paulo tem que levar em consideração. E falo
também do meu partido", disse.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que mora em São Paulo,
disse que caberá ao Executivo impor as mudanças necessárias
nos sistemas político e tributário do país --sem que
as reformas partam diretamente do Congresso. Mas reagiu bem-humorado às
críticas ao Estado.