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ALEXANDRIA -
É da pessoa de Raiclécio Araújo de Oliveira, 32, agricultor,
que residia na Rua Padre Carlos, 502, no centro de Alexandria, o cadáver
encontrado já em completo estado de putrefação, na
manhã desta sexta-feira, 10, num matagal próximo ao assentamento
Monte Alegre, na zona rural de Upanema. Reconhecido, logo que deu entrada
no Instituto Técnico-científico de Polícia (ITEP),
somente na manhã deste sábado, 11, é que a sua identificação
foi oficializada, com a chegada de alguns parentes que vieram tratar da
liberação do corpo. A equipe de reportagem da GAZETA DO OESTE
tentou um contato com os familiares da vítima, mas foi avisado por
eles que não se aproximem, pois não tinham informação
nenhuma a oferecer.
Outras três pessoas foram mortas com requintes de perversidade e desovadas
na mesma área. Duas delas tiveram seus corpos queimados e os demais
executados com um tiro na nuca. Um outro morto, provavelmente na noite de
sábado, 04 para domingo, 05, foi o motorista Luís Carlos Xavier
dos Santos, 35.
O crime é repleto de mistérios. No entanto, outro fato vem
intrigando a polícia que ainda não teve como adquirir os subsídios
mínimos para dar início às investigações.
Uma destas dificuldades é imposta pelos próprios parentes
das duas pessoas mortas e que já foram identificadas - Raiclécio
Araújo e Luís Carlos -, bem como dos outros dois que tiveram
seus corpos queimados e cujos restos mortais se encontram em um Instituto
de Criminalística em Natal para serem examinados através de
testes de DNA e de arcada dentária. É que passado uma semana
do ocorrido, ninguém procurou a delegacia a fim de tratar do caso.
O bacharel Antônio Caetano Baumman de Azevedo, delegado municipal
de Upanema, está encarregado de presidir o inquérito. Num
contato com a equipe de reportagem em meados da semana passada, ele reclamou
o fato de os familiares de Luís Carlos terem vindo a Mossoró
na terça-feira, 07, depois de o corpo dele ser identificado, estiveram
na delegacia de polícia para conseguir a guia de liberação
do corpo e não procuraram as autoridades para conversar. O mesmo
vem acontecendo com relação aos dois homens que foram queimados,
pois até agora não tiveram quem reclamasse algum tipo de parentesco
com eles.
Na cidade de Alexandria, junto aos meios policiais locais, a equipe de reportagem
obteve as informações de que um dos homens assassinados é
de família de bem, trabalhador e contra ela, até então,
não existia nenhum registro de maus antecedentes. "Ele é
de uma família de pessoas trabalhadoras e ninguém aqui tem
informação de seu envolvimento com algo desabonador",
disse uma fonte. Já os parentes que vieram tratar da liberação
do cadáver no Itep evitaram fazer qualquer comentário acerca
do que teria acontecido.
O CASO - Na
manhã de domingo, 05, por volta das 9h, moradores do assentamento
São Jerônimo, que fica localizado a 18 quilômetros do
centro de Upanema, saíam de casa para votar quando perceberam algo
estranho dentro do mato. Ao verificarem do que se tratava, se depararam
com um carro completamente queimado e dentro dele as ossadas de dois seres
humanos, o que veio a ser verificado pelos peritos do Itep que eles estavam
amarrados no banco traseiro do veículo, um GM Celta e cor vermelha
e placa HXX-1497-Caucaia-CE. A polícia consultou o Sistema de Registro
Nacional de Veículos Automotores (RENAVAM) e verificou que ele foi
adquirido através de um financiamento e não existia nenhuma
queixa de roubo ou furto contra o mesmo. Há cerca de quinhentos metros
do local, foi achado outro corpo, o de Luís Carlos Xavier dos Santos,
este com uma perfuração de bala na nuca.
Informações ainda não oficiosas, em virtude de elas
não terem chegado até o delegado que investiga o caso, e que
foram dadas à reportagem por parentes de Luís Carlos, dá
conta que na noite de sábado, 04, ele teria convidado Raiclécio
Araújo para viajar até Mossoró onde apanhariam uma
pessoa que votaria em Alexandria no dia seguinte.
Outro fator mistério e que poderá servir de indício
na busca à elucidação dos fatos, é que a pessoa
de Luís Carlos foi encontrada de bruços e com as mãos
algemadas. Já Raiclécio Araújo, foi achado na mesma
posição, com um furo na cabeça e no mesmo local que
o do parceiro, mas a uma distância de aproximadamente seis quilômetros.
A polícia diz desconfiar que os moradores da região onde os
quatro corpos foram encontrados, já sabiam da existência de
Raiclécio Araújo naquele local, mas não tinham informado
com medo de alguma represália. Na sexta-feira, 10, o mau cheiro e
a grande quantidade de urubus sobrevoando a área, serviu de álibi
para que a autoridades fossem informadas.