
PIO X FERNANDES
O ex-prefeito
do município de Luís Gomes, Pio X Fernandes, candidato
a deputado estadual pelo PSB, é mais um nome lançado a
partir do Alto Oeste. Médico, Pio X diz que a saúde do
estado precisa melhorar. Nesta entrevista ele analisa o assunto, destacando
o Programa da Saúde da Família(PSF). Confira:
Entrevista
concedida aos jornalistas Luís Juetê e Gilberto de Sousa
GAZETA
DO OESTE - Dr. Pio, os nossos cumprimentos. É um prazer tê-lo,
pela primeira vez, em nosso jardim...
PIO X - O prazer é meu, de receber esse convite.
Estou pronto para bater um papo sobre o Alto Oeste, o Estado do Rio Grande
do Norte, a própria Mossoró, que é uma cidade que
a gente simpatiza bastante, sempre que vem aqui a gente se alegra, porque
desde a infância que aprendemos esse caminho, Luís Gomes,
onde eu fui criado, e Mossoró, daqui a Natal, é um prazer
muito grande estar aqui para esse contato importante, com vocês,
estou à disposição para que a gente possa puxar conversas
e esclarecer à comunidade do Estado um pouco do nosso trabalho
como médico, na região do Alto Oeste, também me quiseram
lá como político, fui prefeito de Luís Gomes por
três vezes, e acho que estava precisando, a gente que agora está
nessa empreitada política, defendendo uma candidatura de deputado
estadual, vim aqui neste órgão importante da comunicação
do Estado e até do Brasil, mas especificamente de Mossoró,
para que esta cidade possa conhecer a gente mais de perto, eu que tenho
aqui meus familiares, as famílias Fernandes, Queiroz, é
extensiva bastante a partir do Alto Oeste para Mossoró e, no passado,
meu pai, Pedro Fernandes, trabalhou aqui, eu mesmo, quando retornei de
Brasília como cirurgião-geral recente, atendendo a convite
do meu primo e amigo, também cirurgião-geral doutor Alexandre
Filho, eu servi, como plantonista, ao Hospital Regional Tarcísio
Maia, nos plantões de 24 horas, aos sábados, e para mim
também foi um prazer muito grande, naquela época, no meu
retorno da minha residência, trabalhar num hospital desse porte,
que na época era um hospital de iniciação mais na
região do interior do Rio Grande do Norte, onde eu queria me estabelecer
como médico, foi uma acolhida muito boa, um tempo bom que eu passei
no Hospital Regional.
GO - Que na época ainda era Tancredo Neves, não
é?
PX - Sim, e a gente vinha, com essa distância
toda, a estrada não muito boa, mas essa juventude, a vontade de
servir, de se estabelecer na região, mostrando esse trabalho que
aprendi no Hospital de Base de Brasília, como residente, vim para
a minha terra, meu interior, meu Estado, para trabalhar, servir, fazer
o que eu gostaria e estou satisfeito em ter escolhido essa região
onde eu nasci e por ela poderia prestar um serviço grandioso, porque
eu fui o primeiro cirurgião, com especialidade, que chegou para
trabalhar na região de Pau dos Ferros. Aqui já tinham profissionais
especializados trabalhando, mas a minha região era um pouco mais
carente e eu cheguei numa hora muito boa, quando estava sendo implantado
o hospital regional lá no centenário, através do
doutor Nelson Maia, de Geraldo Figueiredo, do doutor Nilton Figueiredo,
e eu cheguei para somar com eles, e tenho tido uma vida prazerosa pelo
número de cirurgias que eu pude realizar na minha região.
Assim que cheguei notava que sobrecarregava bastante Pau dos Ferros em
matéria de cirurgia, e a gente conseguir segurar uma parte desse
povo lá, a partir do momento que nos instalamos como cirurgião.
GO - Doutor Pio, o senhor foi prefeito de Luís Gomes por
três vezes. O que o levou a entrar nesse novo projeto?
PX - Mesmo com a candidatura de deputado, eu ainda hoje
digo que eu sou mais médico do que político. Mas meu pai
foi vereador várias vezes, foi prefeito da cidade, meu irmão
também foi prefeito, minha família sempre ligada aos políticos
da região, os prefeitos, parentes meus, aqui da região do
Alto Oeste, do Estado, inclusive da Paraíba já tem alguns
familiares. Estimulados pela família, começamos na vida
pública lá em Luís Gomes, inicialmente como vice-prefeito,
fui convidado pelo padre Osvaldo, que também foi prefeito por três
vezes, também em Luís Gomes, entrei na política como
vice-prefeito, já que ele estava sendo a maior liderança
e achava que comigo iria somar. Isso aconteceu. E eu gostei de ser o vice-prefeito
que fui, na época em que tinha um grande prefeito. Depois ele me
apoiou para prefeito e, daí por diante, eu me tornei prefeito por
três vezes, nunca perdi uma eleição no meu município,
já com uma militância de 20 anos e, a partir desse nosso
trabalho e do meu trabalho de médico em Pau dos Ferros, uma região
grande, que engloba ali em torno de 34 cidades, atendendo a convite e
a solicitação dos meus colegas médicos, a minha classe
na área da saúde, que eu defendo com muito afinco, a minha
comunidade, onde eu militei politicamente, esse é um desejo de
ter um representante que possa falar, criar situações novas
para a nossa região, e eu me coloco nessa condição,
de uma renovação de nomes, de um trabalho novo, embasado
no meu passado político, profissional, familiar, e eu acho que
a minha campanha está indo bem, até o momento está
sendo de crescimento, e estou bastante satisfeito com esse convite e do
apoio que eu tenho do governador Iberê, sou do partido dele, o PSB,
que também tem dado esse apoio, e eu tenho um momento importante
na campanha, que tem sido, para mim, muito prazeroso, pelo acolhimento,
pela receptividade, há quem diga que eu sou um dos candidatos a
deputado de menor rejeição, também tendo uma estimativa
de crescimento em campanha, porque as que participei foram municipais,
mas sempre foram vitoriosas, e a gente quer conquistar toda aquela aceitação
do povo e, tenho certeza que no final podemos contar com uma boa vitória,
que não vai ser minha, mas desse povo que acredita em mim, no meu
trabalho, pelo que eu posso fazer pela minha cidade, pelo meu Estado.
GO - O anúncio da sua candidatura a deputado estadual
causou surpresa, pela sua ligação muito forte com o deputado
Raimundo Fernandes. O que houve, na realidade, que culminou com essa candidatura?
Alguma ruptura com Raimundo Fernandes ou mais uma decisão pessoal
do seu grupo?
PX - Eu não considero uma ruptura. Pessoalmente,
eu tenho o maior respeito pelo deputado Raimundo Fernandes, acho ele um
grande político, militei com ele esse tempo todo, mostrando fidelidade.
De repente, eu acho que parti muito da minha última gestão
de prefeito, quando eu saí da Prefeitura, chegava aos meus ouvidos
alguns tipos de exigências ou de proposição que eu
pudesse também ser candidato a deputado. Cheguei a avisar ao deputado
essa minha pretensão, e ele também insinuava que poderia
estar numa condição de não mais ser candidato, e
aí eu acho que o povo estimulou mais, pessoas vendo essa vaga,
digamos assim, nesse momento que estou passando agora, que não
estou pleiteando nenhum mandato de prefeito, já que fui quatro
anos vice-prefeito e 12 anos prefeito, eu acho que meus amigos, as pessoas
que confiam em mim, independente de alguma coisa individual com Raimundo
Fernandes, pois temos o maior respeito um pelo outro, considero-o um grande
cidadão, homem de bem do Alto Oeste, um grande deputado que tem
feito muito pelo nosso povo, mas eu também me ofereço, não
competindo com ele, mas dentro do meu espaço político, criado
pelo meu trabalho, pela minha convicção de que a política
é uma maneira de servir e, compreendendo assim, tudo está
dando certo. Acho que o meu momento não é de levante contra
ninguém nem a concorrente meu, mas defendendo a minha tese de conhecimento,
desenvolvimento, inovações para servir à região,
algumas metas bem traçadas, eu sou um candidato que tenho minhas
propostas bem definidas para defender, acessíveis a um deputado,
que seria a melhoria da saúde, que era tão divulgada de
uma maneira genérica, mas eu especifico ela, vou lutar por uma
saúde melhor no sentido de que a saúde básica nos
municípios do PSF não seria esse PSF que está aí
hoje, desprestigiado, desvalorizado, sem recursos financeiros. Na segurança
também, proposta criada pela minha convivência, com amigos
que trabalham na segurança, visando manter um policiamento mais
ostensivo naquela área que tem ligação com a Paraíba,
Luís Gomes, Pau dos Ferros, José da Penha, Major Sales,
deve ter a Polícia Rodoviária Federal para defender isso
em nível de Estado, para que possa ser instalado lá esse
apoio, uma estação que possa fiscalizar melhor nossas estradas.
Propostas na área da educação. Em Pau dos Ferros,
todos os dias, chegam alunos de cidades circunvizinhas, e esse aluno não
tem uma casa do estudante, uma casa de apoio para o estudante universitário
que vem para ali, onde tomar um copo d'água, onde repousar um pouco,
não uma estadia fixa, mas pelo menos um apoio provisório,
semanal, que não funcione no período de férias nem
nos finais de semana. Não sei se diria um segmento maior, mas seria
mais para dar um apoio ao estudante. Ele chega e fica num quiosque, vai
lanchar e aproveita para descansar na cadeira do restaurante mais próximo,
nos intervalos ele fica sentado no meio fio, numa calçada, na casa
de um amigo, não tem um lugar tipo um ambiente acolhedor para que
esses estudantes pudessem ficar. Isso é possível, é
uma coisa fácil, uma pequena obra.
GO - Basta o empenho do parlamentar?
PX - Eu tenho uma decisão, uma sugestão.
Vou levar isso para lá. Eu mesmo, já como presidente da
Amorn, há cerca de seis anos atrás, hoje foi instalado lá
em Pau dos Ferros como modelo, fiz a primeira solicitação
de um Corpo de Bombeiros para a região do Alto Oeste. Temos outros
pedidos lá que estão sendo agora atendidos pelo governador,
como a instalação do Itep, ainda ontem foi um sofrimento
muito grande para uma família de Riacho de Santana, um jovem falecido
ficou lá mais de quatro horas o corpo estendido no chão,
o povo passando, vento, poeira e outras coisas que possam até contaminar
muito mais ainda o próprio povo, e muito mais o transtorno da família
em não poder rapidamente levar aquele corpo aonde deve ir, ao velório,
tem que vir para Mossoró, aguardar o atendimento para depois retornar,
também o transtorno da falta de documento do rapaz, o que dificultou
a liberação do corpo. Deve estar sendo programado para entrar
em funcionamento até dezembro, na nossa região, foi uma
reivindicação nossa, como presidente da Amorn.
GO - Falávamos do Programa de Saúde da Família.
Bem concebido, no início, mas o senhor acha que o PSF está
sendo desvirtuado, mudando o seu perfil?
PX - Ele está estacionado. Um programa de saúde
do tamanho do PSF não é uma coisa que você possa ter
matematicamente, colocar-lo lá e não inovar. Porque tem
sido pouco inovado na questão de apoio ao município. O governo
está passando um pequeno recurso, investindo este programa na mídia,
e dentro do município, o prefeito, às vezes, não
está conseguindo concretizar como a população espera,
por falta de recursos médicos, que é o principal, mas também
de ampliação. Eu acho que a fisioterapia, hoje, mereceria
um aditivo importante para o PSF, mais apoio, transportes, e isso tudo
fica às expensas da Prefeitura, sem o Governo Federal, na hora
do repasse, ter o cuidado de ver como vai funcionar essa equipe dentro
do município. Esse é um princípio básico de
que o PSF é um programa do Governo Federal, ninguém pode
negar, mas dizer também que está estático, pelo repasse,
pelos problemas que foram surgindo com o tempo, e quem está custeando
muito isso é a própria Prefeitura.
GO - Os profissionais médicos estão sendo bem remunerados?
PX - Não, o recurso é limitado e está
fazendo com que a Prefeitura, para ter um PSF regular, funcionando, tenha
que investir. Você vê a fachada do Governo Federal, mas quem
está pagando o pato é o município. Hoje, para se
fazer um bom PSF, como se vê na televisão, que vai à
casa de todo mundo, que dá o remédio, que tem o carro, que
tem a visita do médico etc. Mas o médico que trabalha cinco
dias por semana com um salário de R$ 2 mil ou R$ 3 mil não
vai. Então, é uma questão da carga horária
que não está sendo cumprida, o prefeito está se esforçando,
tirando mais. Um grupo de PSF, hoje, o recurso maior está sendo
do município, tem prefeito colocando dinheiro do FPM, um repasse
para uma obra federal está colocando no PSF, porque os recursos
estão pequenos, além da reciclagem, do adiantamento da parte
também de capacitação, quando um médico ou
enfermeiro do PSF vai ser admitido, faz um pequeno curso, de uma semana
ou um mês, aprende ali o básico do PSF, fica largado lá,
e ninguém fica com ele para nada, só a propaganda em cima
daquele programa, e realmente o profissional sendo sacrificado, trabalhando
sem a capacitação própria para aquela atividade,
um cirurgião-geral, que não aprendeu muito da saúde
básica, deve exercer a função de um médico
de PSF clínico, também surge a oportunidade de ser transformado,
não somente no PSF, porque mais preventivo seria a função
principal do PSF, mas criativo, o médico vai, em pouco tempo, termina
consultando todo mundo, só no consultório, e faltam a medida
domiciliar, o tempo de reuniões com grupos de idosos, diabéticos,
hipertensos, e realmente você não sabe, mas ninguém
pode negar que é um grande programa, pelo menos ele ampliado, melhor
assistido, com capacitação, e infinitamente melhor com um
diálogo maior entre quem toma conta desse PSF e o prefeito.
GO - Que proposta o senhor teria, caso eleito deputado estadual,
direcionada para esse setor?
PX - A proposta seria a capacitação que
acabei de falar. Fazer avaliações, por região, por
município, por Estado, e ver, porque, às vezes, você
pega uma região mais difícil, locais de serra, cidades que
têm uma zona rural maior, com posto de saúde distante do
centro da cidade, diferente de uma cidade pequena, que é tudo mais
próximo, uma questão de transporte, o profissional ser mais
bem remunerado, que vai para o postinho da ponta da cidade, no sítio
da zona rural mais distante, e é uma situação de
que um PSF funciona melhor do que outro, precisa tirar essa diferenciação
regional, de condição do transporte. Tem PSF que o carro
só chega lá se for uma cabine dupla com tração,
e o prefeito está mandando o cara ir num Fiat Uno, duas portas.
Eu acho que deve ser reavaliado em cada região, em cada cidade,
e melhorar a questão financeira, que é muito polarizada,
a condição do medicamento, uma verba específica,
dentro do PSF, para auxiliar o prefeito na questão do medicamento,
porque manda já a cota para remunerar o médico, o enfermeiro,
que são mal remunerados, e esquece a outra parte, combustível,
medicação, que é uma coisa caríssima hoje,
tentar reestruturar, dar uma roupagem nova nesse programa.
GO - O senhor, não só como profissional da área
médica e conhecedor dessa atividade, a que atribui a carência
cada vez maior dos profissionais da área de pediatria? E isso é
um fato comum no Brasil, os estudantes estão indo para outras áreas,
deixando a pediatria de lado.
PX - É uma especialidade muito trabalhosa para
o profissional. A pediatria hoje é praticamente 50% dos atendimentos
nos hospitais públicos, onde o pediatra passa o tempo todo consultando,
e a remuneração igualitária, tanto faz atender a
um como a 50, é um plantão 24 horas. E está difícil
também o pediatra se diferenciar para atrair uma clientela grande
para o seu consultório particular. Eu acho que são dois
motivos aí. Primeiramente é a dificuldade de hoje em dia
a maioria dos médicos vivem de plantões, da remuneração
Estado, INSS, e dificilmente a pediatria é sempre aquela mais procurada
no setor público. No privado, a carência de pessoas que procuram
o consultório particular de pediatria tem diminuído, talvez
pela facilidade de encontrar no hospital público, eu sei que a
pediatria, a história é que até no concurso de residência
médica, quando tem uma especialidade que tem uma concorrência
enorme, como dermatologia, que é a que tem mais paciente particular,
e que a vaga de residência é menor, ou que o trabalho não
tem aquelas urgências de madrugada, pois um pediatra estando de
plantão no hospital não dorme à noite, já
o dermatologista fica de sobreaviso, ganhando a mesma remuneração.
E no particular, quem tem problema de pele e se preocupa, tendo dermatologista,
o cliente vai atrás. O pediatra, não. Qualquer doutor passa
o remédio da dor de barriga e diminui a clientela do médico
particular. Também é uma questão de acomodação
psicológica, pois descobrir doença em criança é
muito difícil, não é para todo mundo, é para
quem o tato bem aguçado, diferente de outras especialidades médicas,
como o ortopedista, que olha só para o raio-X e diz para ir ao
centro cirúrgico.
GO - O senhor foi diretor do hospital regional de Pau dos Ferros,
unidade que atende a 35 municípios, não só do Rio
Grande do Norte como do Ceará, da Paraíba. Como foi essa
experiência?
PX - Foi muito boa. Eu entrei no hospital num momento
de crise, não somente financeira, mas também funcional,
administrativa, porque, na realidade, a gente sabe que não está
fácil administrar coisa pública hoje, com carência
de recursos, a desmotivação, a própria remuneração
dos profissionais, mas foi boa, um período curto de apenas seis
meses. Mas eu saí, entreguei o hospital com muita satisfação
porque eu pude fazer, pude adiantar algumas coisas no meu período
como diretor. Conseguimos melhorar a parte de ginecologia e obstetrícia,
o Estado admitiu novos funcionários, já nessa hora os especialistas
melhores da nossa região, climatizamos as enfermarias, camas novas,
inauguramos uma nova ala do hospital, todos foram tratados por igual,
a pediatria não somente com diferenciação de A ou
de B, todos sendo cuidados pelo mesmo médico, pela mesma enfermeira.
As mulheres que tinham os seus bebês saíam do hospital com
uma satisfação muito grande, porque era do PSF, nesse momento
novo que foi criado, porque às vezes faltava lençol, a cama
não era conveniente para acolher a parturiente, e a gente procurou
fazer um trabalho de motivação.
GO - O fato de o senhor ser um cirurgião-geral facilitou
o seu trabalho no hospital?
PX - Facilitou. Eu sou um médico bastante atuante,
dou plantão de 24 horas duas vezes por semana, além de passar,
quase todos os dias, para rever os meus pacientes. Já conhecia
e conheço de perto toda problemática de um hospital. Eu
conhecia os problemas, pois já convivia com eles lá. Foi
fácil comunicar uma falha, questão de enfermagem, o enfermeiro
precisava estar mais presente nos setores, e isso foi feito, todo mundo
gostou, eu acho que foi uma administração feliz, o hospital
antes era sendo elogiado pela imprensa, findando com a divulgação
negativa e a gente mostrou que na região do Alto Oeste, é
lá que são praticados 80% dos atos de cirurgias. E o trabalho
satisfez os funcionários e a população.
GO - Duas perguntas numa só: qual o maior desafio como
diretor do hospital regional de Pau dos Ferros e a maior lição
que o senhor tirou desse trabalho que durou seis meses?
PX - O maior desafio é você procurar e
conseguir, como acho que consegui, dentro dos seus mínimos recursos,
com as mesmas pessoas, você motivar, economizar, colocar austeridade
na questão financeira e melhorar o serviço. Esse foi o grande
desafio e a grande glória minha, conquistar, mostrar que é
possível, porque na época em que entrei como diretor, as
pessoas diziam que quem tinha juízo não assumia essa direção.
Achavam que era para desgastar quem fosse político. Como diretor
do hospital, eu angariei mais prestígio político, ao contrário
do que pensavam. Recebi inúmeros conselhos para não assumir
o hospital, porque é um grande desafio. Mas a gente conseguiu com
a ajuda dos colegas, doutora Leila, Lucas Batalha, Soraya Vieira, que
também fazia parte dessa equipe, foi muito boa essa convivência,
esse movimento lá, e acredito que conseguimos motivar e implementar
alguns serviços aqui relacionados, sensibilizar o secretário
de Saúde, doutor George, para que contratasse mais funcionários,
trouxesse nossos equipamentos, trocamos as camas de todos os leitos, a
UTI foi mais ativada, foi um momento de crescimento do hospital. Tenho
conhecimento de que a direção do Hospital Regional Tarcísio
Maia, tendo à frente o doutor Marcelo, é bem avaliada, mas,
segundo a Secretaria de Saúde, Pau dos Ferros chegava junto na
sua avaliação, apesar de ser uma unidade menor, mais distante
da capital.
GO - O senhor defende que para dirigir um hospital da magnitude
dos regionais teria que ser um profissional da área médica?
PX - Defendo. Mesmo não sendo expert em alguns
segmentos, eu discuti isso numa reunião de diretores com o secretário
de Saúde e a governadora Wilma, na época. Cheguei a dizer
isso lá, não sei se recebi o aval de todos. Eu acho que
com o médico, que é aquela pessoa que está ligada
diretamente com o paciente e o enfermeiro, na direção, é
importante. Na direção de um hospital tem que haver um médico,
que não deixa de ser um técnico na função.
Porque só a parte administrativa é muito bonita, muito boa,
aquela de comprar, de vender, de trazer o alimento para a mesa, de melhorar
o restaurante do hospital, mas um médico, um profissional da área,
inclusive um servidor da unidade, eu acho que o critério de escolha
poderia ver isso, não só a questão política,
traga um de fora, bota para lá, ele bom porque sabe administrar.
Acho que tem ser da área, e principalmente da cirurgia-geral, e
que está ali trabalhando quase em causas própria, porque
melhorando o hospital melhoram as suas condições de trabalho.
GO - Analisando as últimas três eleições
gerais no Rio Grande do Norte, a gente observa que a região do
Alto Oeste tem perdido espaço de representatividade na Assembleia
Legislativa. A que o senhor atribui esse fato?
PX - É difícil analisar a política
como um todo, nesse aspecto. Porque não é uma coisa regionalizada,
e sim estadualizada. Até que eu defendo muito o voto distrital,
que para mim seria bastante interessante.
GO - Porque a representatividade iria funcionar direito?
PX - Isso garantiria a representatividade, mapeando
regionalmente. Mas é isso que acontece no Brasil inteiro, uma certa
invasão de área, não é uma invasão
realmente, é uma vontade do eleitor. Logicamente terminamos tendo
a obrigação de sair para outra região, porque lá
às vezes não consegue, pelo número de candidatos.
Mas acredito que quando o candidato é aceito na região,
dela originário, e que já uma tendência grande do
povo votar num candidato local, isso só fortaleceria a gente. Quem
sabe se o que está acontecendo, essa evasão, diminuição
de nomes, não seja por falta de atuação, do currículo,
a história, o passado dos pretendentes. Eu acho que todo mundo
quer ter o seu representante. O Estado também deverá receber
bem aquele nome regional, que vão passando também para outra
região. O Alto Oeste agora está aí com mais dois
nomes, o meu e o do doutor Zé Júlio, que vai também
disputar a eleição, e com certeza vai aumentar a representatividade.
Espero que meu nome esteja lá, mais um dos que já tem, para
que a gente possa deixar o Alto Oeste mais forte, o Oeste como um todo,
a partir de Mossoró.
GO - O senhor, Zé Júlio e Getúlio Rego são
médicos. O que leva os médicos a entrarem tanto na vida
pública?
PX - É essa facilidade de contato com as pessoas,
principalmente os médicos que atuam mais no setor público.
Só para se ter uma idéia, eu não se os colegas médicos,
eu mesmo, 95% da minha atuação, hoje, é nos hospitais
públicos, a gente começa a ter contato, fazendo um pouco
mais do que o normal.
GO - Além da medicina, às vezes, termina entrando
em outros problemas?
PX - É. E essa questão também da
tradição. Eu mesmo, politicamente falando, foi por conta
da minha família, que foi política lá na região.
Não é uma coincidência, mas a profissão de
médico é convidativa para a política, porque quem
se interessa por esse campo da saúde pública, de contatos,
de reuniões, de atender, a gente quer ter oportunidade, através
da política, de fazer mais pela sua região, do que ser simplesmente
um médico. O nosso contato é diferente do de um empresário,
que fica muito limitado aos seus negócios.
GO - Você se sente mais realizado como médico ou
como político?
PX - Vou ser sincero, eu me sinto muito bem realizado
como médico cirurgião, que é a minha profissão
principal, é meu ganha-pão. Eu trabalho todo dia. Eu sou
prefeito de Luís Gomes, mas nunca abandonei a medicina. Meu plantão
oficial é no hospital regional de Pau dos Ferros, e até
mesmo em outros municípios. E eu tenho uma coisa comigo: no dia
4 de outubro, um dia após a eleição, com a minha
vitória, eu estarei dando plantão no hospital regional de
Pau dos Ferros. O radialista ou qualquer outro profissional que é
deputado pode trabalhar na sua profissão e, eu, com certeza, por
convicção e até como juramento de minha profissão,
eu sendo deputado não vou abandonar. Tenho certeza de que vou voltar
a dar os meus plantões, que já estou com saudade, pois não
trabalho há quase um mês. E eu passei a vida inteira quase
sem ter férias, pois tirava poucos dias, nunca passei um mês
inteiro de folga. Então, estou com saudade de operar, pois, não
sei se vocês sabem, mas eu sou o cirurgião da região
do Alto Oeste, com todo respeito aos meus colegas, que também fizeram
muitas, que mais realizou cirurgias, as maiores, de hérnia para
maior, chegando à soma de mais de 15 mil, e pequenas já
são mais de 30 mil. Gosto da minha profissão, mas gosto
da política, da oportunidade de servir ao povo, de trabalhar mais,
de fazer mais, defender mais. Então, eu acho que está em
primeiro lugar ainda a profissão de médico, mas sou um político
que gosto do que faço, uma política bonita e limpa, tanto
que sempre fui vitorioso.
Confira
hoje na FM 95, às 18h. E às 18h a
entrevista na íntegra na TCM, canal 10.
DICAS
DE LEITURA
GENILDO
COSTA
A SAGA DA POESIA SOBREVIVENTE
CINEMA
FILME
PEIXE GRANDE E SUAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS
ARTIGOS
WILSON
BEZERRA DE MOURA
JAIME HIPÓLITO DANTAS
RAIMUNDO
ANTÔNIO
EITA CARTÃOZINHO...!
CLÁUDER
ARCANJO
CONTINHOS PARA JULHO
J.
F. DA COSTA RÊGO
CANTO POÉTICO
ENTREVISTA
REPORTAGEM
A
ALEGRIA DO CIRCO
A CIART'S PROCURA RESGATAR A TRADIÇÃO DO
CIRCO CLÁSSICO, COM BRINCADEIRAS EDUCATIVAS E INSTRUTIVAS
MÚSICA
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O TRIO MOSSORÓ
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