PIO X FERNANDES

O ex-prefeito do município de Luís Gomes, Pio X Fernandes, candidato a deputado estadual pelo PSB, é mais um nome lançado a partir do Alto Oeste. Médico, Pio X diz que a saúde do estado precisa melhorar. Nesta entrevista ele analisa o assunto, destacando o Programa da Saúde da Família(PSF). Confira:

Entrevista concedida aos jornalistas Luís Juetê e Gilberto de Sousa

GAZETA DO OESTE - Dr. Pio, os nossos cumprimentos. É um prazer tê-lo, pela primeira vez, em nosso jardim...

PIO X - O prazer é meu, de receber esse convite. Estou pronto para bater um papo sobre o Alto Oeste, o Estado do Rio Grande do Norte, a própria Mossoró, que é uma cidade que a gente simpatiza bastante, sempre que vem aqui a gente se alegra, porque desde a infância que aprendemos esse caminho, Luís Gomes, onde eu fui criado, e Mossoró, daqui a Natal, é um prazer muito grande estar aqui para esse contato importante, com vocês, estou à disposição para que a gente possa puxar conversas e esclarecer à comunidade do Estado um pouco do nosso trabalho como médico, na região do Alto Oeste, também me quiseram lá como político, fui prefeito de Luís Gomes por três vezes, e acho que estava precisando, a gente que agora está nessa empreitada política, defendendo uma candidatura de deputado estadual, vim aqui neste órgão importante da comunicação do Estado e até do Brasil, mas especificamente de Mossoró, para que esta cidade possa conhecer a gente mais de perto, eu que tenho aqui meus familiares, as famílias Fernandes, Queiroz, é extensiva bastante a partir do Alto Oeste para Mossoró e, no passado, meu pai, Pedro Fernandes, trabalhou aqui, eu mesmo, quando retornei de Brasília como cirurgião-geral recente, atendendo a convite do meu primo e amigo, também cirurgião-geral doutor Alexandre Filho, eu servi, como plantonista, ao Hospital Regional Tarcísio Maia, nos plantões de 24 horas, aos sábados, e para mim também foi um prazer muito grande, naquela época, no meu retorno da minha residência, trabalhar num hospital desse porte, que na época era um hospital de iniciação mais na região do interior do Rio Grande do Norte, onde eu queria me estabelecer como médico, foi uma acolhida muito boa, um tempo bom que eu passei no Hospital Regional.


GO - Que na época ainda era Tancredo Neves, não é?

PX - Sim, e a gente vinha, com essa distância toda, a estrada não muito boa, mas essa juventude, a vontade de servir, de se estabelecer na região, mostrando esse trabalho que aprendi no Hospital de Base de Brasília, como residente, vim para a minha terra, meu interior, meu Estado, para trabalhar, servir, fazer o que eu gostaria e estou satisfeito em ter escolhido essa região onde eu nasci e por ela poderia prestar um serviço grandioso, porque eu fui o primeiro cirurgião, com especialidade, que chegou para trabalhar na região de Pau dos Ferros. Aqui já tinham profissionais especializados trabalhando, mas a minha região era um pouco mais carente e eu cheguei numa hora muito boa, quando estava sendo implantado o hospital regional lá no centenário, através do doutor Nelson Maia, de Geraldo Figueiredo, do doutor Nilton Figueiredo, e eu cheguei para somar com eles, e tenho tido uma vida prazerosa pelo número de cirurgias que eu pude realizar na minha região. Assim que cheguei notava que sobrecarregava bastante Pau dos Ferros em matéria de cirurgia, e a gente conseguir segurar uma parte desse povo lá, a partir do momento que nos instalamos como cirurgião.


GO - Doutor Pio, o senhor foi prefeito de Luís Gomes por três vezes. O que o levou a entrar nesse novo projeto?

PX - Mesmo com a candidatura de deputado, eu ainda hoje digo que eu sou mais médico do que político. Mas meu pai foi vereador várias vezes, foi prefeito da cidade, meu irmão também foi prefeito, minha família sempre ligada aos políticos da região, os prefeitos, parentes meus, aqui da região do Alto Oeste, do Estado, inclusive da Paraíba já tem alguns familiares. Estimulados pela família, começamos na vida pública lá em Luís Gomes, inicialmente como vice-prefeito, fui convidado pelo padre Osvaldo, que também foi prefeito por três vezes, também em Luís Gomes, entrei na política como vice-prefeito, já que ele estava sendo a maior liderança e achava que comigo iria somar. Isso aconteceu. E eu gostei de ser o vice-prefeito que fui, na época em que tinha um grande prefeito. Depois ele me apoiou para prefeito e, daí por diante, eu me tornei prefeito por três vezes, nunca perdi uma eleição no meu município, já com uma militância de 20 anos e, a partir desse nosso trabalho e do meu trabalho de médico em Pau dos Ferros, uma região grande, que engloba ali em torno de 34 cidades, atendendo a convite e a solicitação dos meus colegas médicos, a minha classe na área da saúde, que eu defendo com muito afinco, a minha comunidade, onde eu militei politicamente, esse é um desejo de ter um representante que possa falar, criar situações novas para a nossa região, e eu me coloco nessa condição, de uma renovação de nomes, de um trabalho novo, embasado no meu passado político, profissional, familiar, e eu acho que a minha campanha está indo bem, até o momento está sendo de crescimento, e estou bastante satisfeito com esse convite e do apoio que eu tenho do governador Iberê, sou do partido dele, o PSB, que também tem dado esse apoio, e eu tenho um momento importante na campanha, que tem sido, para mim, muito prazeroso, pelo acolhimento, pela receptividade, há quem diga que eu sou um dos candidatos a deputado de menor rejeição, também tendo uma estimativa de crescimento em campanha, porque as que participei foram municipais, mas sempre foram vitoriosas, e a gente quer conquistar toda aquela aceitação do povo e, tenho certeza que no final podemos contar com uma boa vitória, que não vai ser minha, mas desse povo que acredita em mim, no meu trabalho, pelo que eu posso fazer pela minha cidade, pelo meu Estado.


GO - O anúncio da sua candidatura a deputado estadual causou surpresa, pela sua ligação muito forte com o deputado Raimundo Fernandes. O que houve, na realidade, que culminou com essa candidatura? Alguma ruptura com Raimundo Fernandes ou mais uma decisão pessoal do seu grupo?

PX - Eu não considero uma ruptura. Pessoalmente, eu tenho o maior respeito pelo deputado Raimundo Fernandes, acho ele um grande político, militei com ele esse tempo todo, mostrando fidelidade. De repente, eu acho que parti muito da minha última gestão de prefeito, quando eu saí da Prefeitura, chegava aos meus ouvidos alguns tipos de exigências ou de proposição que eu pudesse também ser candidato a deputado. Cheguei a avisar ao deputado essa minha pretensão, e ele também insinuava que poderia estar numa condição de não mais ser candidato, e aí eu acho que o povo estimulou mais, pessoas vendo essa vaga, digamos assim, nesse momento que estou passando agora, que não estou pleiteando nenhum mandato de prefeito, já que fui quatro anos vice-prefeito e 12 anos prefeito, eu acho que meus amigos, as pessoas que confiam em mim, independente de alguma coisa individual com Raimundo Fernandes, pois temos o maior respeito um pelo outro, considero-o um grande cidadão, homem de bem do Alto Oeste, um grande deputado que tem feito muito pelo nosso povo, mas eu também me ofereço, não competindo com ele, mas dentro do meu espaço político, criado pelo meu trabalho, pela minha convicção de que a política é uma maneira de servir e, compreendendo assim, tudo está dando certo. Acho que o meu momento não é de levante contra ninguém nem a concorrente meu, mas defendendo a minha tese de conhecimento, desenvolvimento, inovações para servir à região, algumas metas bem traçadas, eu sou um candidato que tenho minhas propostas bem definidas para defender, acessíveis a um deputado, que seria a melhoria da saúde, que era tão divulgada de uma maneira genérica, mas eu especifico ela, vou lutar por uma saúde melhor no sentido de que a saúde básica nos municípios do PSF não seria esse PSF que está aí hoje, desprestigiado, desvalorizado, sem recursos financeiros. Na segurança também, proposta criada pela minha convivência, com amigos que trabalham na segurança, visando manter um policiamento mais ostensivo naquela área que tem ligação com a Paraíba, Luís Gomes, Pau dos Ferros, José da Penha, Major Sales, deve ter a Polícia Rodoviária Federal para defender isso em nível de Estado, para que possa ser instalado lá esse apoio, uma estação que possa fiscalizar melhor nossas estradas. Propostas na área da educação. Em Pau dos Ferros, todos os dias, chegam alunos de cidades circunvizinhas, e esse aluno não tem uma casa do estudante, uma casa de apoio para o estudante universitário que vem para ali, onde tomar um copo d'água, onde repousar um pouco, não uma estadia fixa, mas pelo menos um apoio provisório, semanal, que não funcione no período de férias nem nos finais de semana. Não sei se diria um segmento maior, mas seria mais para dar um apoio ao estudante. Ele chega e fica num quiosque, vai lanchar e aproveita para descansar na cadeira do restaurante mais próximo, nos intervalos ele fica sentado no meio fio, numa calçada, na casa de um amigo, não tem um lugar tipo um ambiente acolhedor para que esses estudantes pudessem ficar. Isso é possível, é uma coisa fácil, uma pequena obra.


GO - Basta o empenho do parlamentar?

PX - Eu tenho uma decisão, uma sugestão. Vou levar isso para lá. Eu mesmo, já como presidente da Amorn, há cerca de seis anos atrás, hoje foi instalado lá em Pau dos Ferros como modelo, fiz a primeira solicitação de um Corpo de Bombeiros para a região do Alto Oeste. Temos outros pedidos lá que estão sendo agora atendidos pelo governador, como a instalação do Itep, ainda ontem foi um sofrimento muito grande para uma família de Riacho de Santana, um jovem falecido ficou lá mais de quatro horas o corpo estendido no chão, o povo passando, vento, poeira e outras coisas que possam até contaminar muito mais ainda o próprio povo, e muito mais o transtorno da família em não poder rapidamente levar aquele corpo aonde deve ir, ao velório, tem que vir para Mossoró, aguardar o atendimento para depois retornar, também o transtorno da falta de documento do rapaz, o que dificultou a liberação do corpo. Deve estar sendo programado para entrar em funcionamento até dezembro, na nossa região, foi uma reivindicação nossa, como presidente da Amorn.


GO - Falávamos do Programa de Saúde da Família. Bem concebido, no início, mas o senhor acha que o PSF está sendo desvirtuado, mudando o seu perfil?

PX - Ele está estacionado. Um programa de saúde do tamanho do PSF não é uma coisa que você possa ter matematicamente, colocar-lo lá e não inovar. Porque tem sido pouco inovado na questão de apoio ao município. O governo está passando um pequeno recurso, investindo este programa na mídia, e dentro do município, o prefeito, às vezes, não está conseguindo concretizar como a população espera, por falta de recursos médicos, que é o principal, mas também de ampliação. Eu acho que a fisioterapia, hoje, mereceria um aditivo importante para o PSF, mais apoio, transportes, e isso tudo fica às expensas da Prefeitura, sem o Governo Federal, na hora do repasse, ter o cuidado de ver como vai funcionar essa equipe dentro do município. Esse é um princípio básico de que o PSF é um programa do Governo Federal, ninguém pode negar, mas dizer também que está estático, pelo repasse, pelos problemas que foram surgindo com o tempo, e quem está custeando muito isso é a própria Prefeitura.


GO - Os profissionais médicos estão sendo bem remunerados?

PX - Não, o recurso é limitado e está fazendo com que a Prefeitura, para ter um PSF regular, funcionando, tenha que investir. Você vê a fachada do Governo Federal, mas quem está pagando o pato é o município. Hoje, para se fazer um bom PSF, como se vê na televisão, que vai à casa de todo mundo, que dá o remédio, que tem o carro, que tem a visita do médico etc. Mas o médico que trabalha cinco dias por semana com um salário de R$ 2 mil ou R$ 3 mil não vai. Então, é uma questão da carga horária que não está sendo cumprida, o prefeito está se esforçando, tirando mais. Um grupo de PSF, hoje, o recurso maior está sendo do município, tem prefeito colocando dinheiro do FPM, um repasse para uma obra federal está colocando no PSF, porque os recursos estão pequenos, além da reciclagem, do adiantamento da parte também de capacitação, quando um médico ou enfermeiro do PSF vai ser admitido, faz um pequeno curso, de uma semana ou um mês, aprende ali o básico do PSF, fica largado lá, e ninguém fica com ele para nada, só a propaganda em cima daquele programa, e realmente o profissional sendo sacrificado, trabalhando sem a capacitação própria para aquela atividade, um cirurgião-geral, que não aprendeu muito da saúde básica, deve exercer a função de um médico de PSF clínico, também surge a oportunidade de ser transformado, não somente no PSF, porque mais preventivo seria a função principal do PSF, mas criativo, o médico vai, em pouco tempo, termina consultando todo mundo, só no consultório, e faltam a medida domiciliar, o tempo de reuniões com grupos de idosos, diabéticos, hipertensos, e realmente você não sabe, mas ninguém pode negar que é um grande programa, pelo menos ele ampliado, melhor assistido, com capacitação, e infinitamente melhor com um diálogo maior entre quem toma conta desse PSF e o prefeito.


GO - Que proposta o senhor teria, caso eleito deputado estadual, direcionada para esse setor?

PX - A proposta seria a capacitação que acabei de falar. Fazer avaliações, por região, por município, por Estado, e ver, porque, às vezes, você pega uma região mais difícil, locais de serra, cidades que têm uma zona rural maior, com posto de saúde distante do centro da cidade, diferente de uma cidade pequena, que é tudo mais próximo, uma questão de transporte, o profissional ser mais bem remunerado, que vai para o postinho da ponta da cidade, no sítio da zona rural mais distante, e é uma situação de que um PSF funciona melhor do que outro, precisa tirar essa diferenciação regional, de condição do transporte. Tem PSF que o carro só chega lá se for uma cabine dupla com tração, e o prefeito está mandando o cara ir num Fiat Uno, duas portas. Eu acho que deve ser reavaliado em cada região, em cada cidade, e melhorar a questão financeira, que é muito polarizada, a condição do medicamento, uma verba específica, dentro do PSF, para auxiliar o prefeito na questão do medicamento, porque manda já a cota para remunerar o médico, o enfermeiro, que são mal remunerados, e esquece a outra parte, combustível, medicação, que é uma coisa caríssima hoje, tentar reestruturar, dar uma roupagem nova nesse programa.


GO - O senhor, não só como profissional da área médica e conhecedor dessa atividade, a que atribui a carência cada vez maior dos profissionais da área de pediatria? E isso é um fato comum no Brasil, os estudantes estão indo para outras áreas, deixando a pediatria de lado.

PX - É uma especialidade muito trabalhosa para o profissional. A pediatria hoje é praticamente 50% dos atendimentos nos hospitais públicos, onde o pediatra passa o tempo todo consultando, e a remuneração igualitária, tanto faz atender a um como a 50, é um plantão 24 horas. E está difícil também o pediatra se diferenciar para atrair uma clientela grande para o seu consultório particular. Eu acho que são dois motivos aí. Primeiramente é a dificuldade de hoje em dia a maioria dos médicos vivem de plantões, da remuneração Estado, INSS, e dificilmente a pediatria é sempre aquela mais procurada no setor público. No privado, a carência de pessoas que procuram o consultório particular de pediatria tem diminuído, talvez pela facilidade de encontrar no hospital público, eu sei que a pediatria, a história é que até no concurso de residência médica, quando tem uma especialidade que tem uma concorrência enorme, como dermatologia, que é a que tem mais paciente particular, e que a vaga de residência é menor, ou que o trabalho não tem aquelas urgências de madrugada, pois um pediatra estando de plantão no hospital não dorme à noite, já o dermatologista fica de sobreaviso, ganhando a mesma remuneração. E no particular, quem tem problema de pele e se preocupa, tendo dermatologista, o cliente vai atrás. O pediatra, não. Qualquer doutor passa o remédio da dor de barriga e diminui a clientela do médico particular. Também é uma questão de acomodação psicológica, pois descobrir doença em criança é muito difícil, não é para todo mundo, é para quem o tato bem aguçado, diferente de outras especialidades médicas, como o ortopedista, que olha só para o raio-X e diz para ir ao centro cirúrgico.


GO - O senhor foi diretor do hospital regional de Pau dos Ferros, unidade que atende a 35 municípios, não só do Rio Grande do Norte como do Ceará, da Paraíba. Como foi essa experiência?

PX - Foi muito boa. Eu entrei no hospital num momento de crise, não somente financeira, mas também funcional, administrativa, porque, na realidade, a gente sabe que não está fácil administrar coisa pública hoje, com carência de recursos, a desmotivação, a própria remuneração dos profissionais, mas foi boa, um período curto de apenas seis meses. Mas eu saí, entreguei o hospital com muita satisfação porque eu pude fazer, pude adiantar algumas coisas no meu período como diretor. Conseguimos melhorar a parte de ginecologia e obstetrícia, o Estado admitiu novos funcionários, já nessa hora os especialistas melhores da nossa região, climatizamos as enfermarias, camas novas, inauguramos uma nova ala do hospital, todos foram tratados por igual, a pediatria não somente com diferenciação de A ou de B, todos sendo cuidados pelo mesmo médico, pela mesma enfermeira. As mulheres que tinham os seus bebês saíam do hospital com uma satisfação muito grande, porque era do PSF, nesse momento novo que foi criado, porque às vezes faltava lençol, a cama não era conveniente para acolher a parturiente, e a gente procurou fazer um trabalho de motivação.


GO - O fato de o senhor ser um cirurgião-geral facilitou o seu trabalho no hospital?

PX - Facilitou. Eu sou um médico bastante atuante, dou plantão de 24 horas duas vezes por semana, além de passar, quase todos os dias, para rever os meus pacientes. Já conhecia e conheço de perto toda problemática de um hospital. Eu conhecia os problemas, pois já convivia com eles lá. Foi fácil comunicar uma falha, questão de enfermagem, o enfermeiro precisava estar mais presente nos setores, e isso foi feito, todo mundo gostou, eu acho que foi uma administração feliz, o hospital antes era sendo elogiado pela imprensa, findando com a divulgação negativa e a gente mostrou que na região do Alto Oeste, é lá que são praticados 80% dos atos de cirurgias. E o trabalho satisfez os funcionários e a população.


GO - Duas perguntas numa só: qual o maior desafio como diretor do hospital regional de Pau dos Ferros e a maior lição que o senhor tirou desse trabalho que durou seis meses?

PX - O maior desafio é você procurar e conseguir, como acho que consegui, dentro dos seus mínimos recursos, com as mesmas pessoas, você motivar, economizar, colocar austeridade na questão financeira e melhorar o serviço. Esse foi o grande desafio e a grande glória minha, conquistar, mostrar que é possível, porque na época em que entrei como diretor, as pessoas diziam que quem tinha juízo não assumia essa direção. Achavam que era para desgastar quem fosse político. Como diretor do hospital, eu angariei mais prestígio político, ao contrário do que pensavam. Recebi inúmeros conselhos para não assumir o hospital, porque é um grande desafio. Mas a gente conseguiu com a ajuda dos colegas, doutora Leila, Lucas Batalha, Soraya Vieira, que também fazia parte dessa equipe, foi muito boa essa convivência, esse movimento lá, e acredito que conseguimos motivar e implementar alguns serviços aqui relacionados, sensibilizar o secretário de Saúde, doutor George, para que contratasse mais funcionários, trouxesse nossos equipamentos, trocamos as camas de todos os leitos, a UTI foi mais ativada, foi um momento de crescimento do hospital. Tenho conhecimento de que a direção do Hospital Regional Tarcísio Maia, tendo à frente o doutor Marcelo, é bem avaliada, mas, segundo a Secretaria de Saúde, Pau dos Ferros chegava junto na sua avaliação, apesar de ser uma unidade menor, mais distante da capital.


GO - O senhor defende que para dirigir um hospital da magnitude dos regionais teria que ser um profissional da área médica?

PX - Defendo. Mesmo não sendo expert em alguns segmentos, eu discuti isso numa reunião de diretores com o secretário de Saúde e a governadora Wilma, na época. Cheguei a dizer isso lá, não sei se recebi o aval de todos. Eu acho que com o médico, que é aquela pessoa que está ligada diretamente com o paciente e o enfermeiro, na direção, é importante. Na direção de um hospital tem que haver um médico, que não deixa de ser um técnico na função. Porque só a parte administrativa é muito bonita, muito boa, aquela de comprar, de vender, de trazer o alimento para a mesa, de melhorar o restaurante do hospital, mas um médico, um profissional da área, inclusive um servidor da unidade, eu acho que o critério de escolha poderia ver isso, não só a questão política, traga um de fora, bota para lá, ele bom porque sabe administrar. Acho que tem ser da área, e principalmente da cirurgia-geral, e que está ali trabalhando quase em causas própria, porque melhorando o hospital melhoram as suas condições de trabalho.


GO - Analisando as últimas três eleições gerais no Rio Grande do Norte, a gente observa que a região do Alto Oeste tem perdido espaço de representatividade na Assembleia Legislativa. A que o senhor atribui esse fato?

PX - É difícil analisar a política como um todo, nesse aspecto. Porque não é uma coisa regionalizada, e sim estadualizada. Até que eu defendo muito o voto distrital, que para mim seria bastante interessante.


GO - Porque a representatividade iria funcionar direito?

PX - Isso garantiria a representatividade, mapeando regionalmente. Mas é isso que acontece no Brasil inteiro, uma certa invasão de área, não é uma invasão realmente, é uma vontade do eleitor. Logicamente terminamos tendo a obrigação de sair para outra região, porque lá às vezes não consegue, pelo número de candidatos. Mas acredito que quando o candidato é aceito na região, dela originário, e que já uma tendência grande do povo votar num candidato local, isso só fortaleceria a gente. Quem sabe se o que está acontecendo, essa evasão, diminuição de nomes, não seja por falta de atuação, do currículo, a história, o passado dos pretendentes. Eu acho que todo mundo quer ter o seu representante. O Estado também deverá receber bem aquele nome regional, que vão passando também para outra região. O Alto Oeste agora está aí com mais dois nomes, o meu e o do doutor Zé Júlio, que vai também disputar a eleição, e com certeza vai aumentar a representatividade. Espero que meu nome esteja lá, mais um dos que já tem, para que a gente possa deixar o Alto Oeste mais forte, o Oeste como um todo, a partir de Mossoró.


GO - O senhor, Zé Júlio e Getúlio Rego são médicos. O que leva os médicos a entrarem tanto na vida pública?

PX - É essa facilidade de contato com as pessoas, principalmente os médicos que atuam mais no setor público. Só para se ter uma idéia, eu não se os colegas médicos, eu mesmo, 95% da minha atuação, hoje, é nos hospitais públicos, a gente começa a ter contato, fazendo um pouco mais do que o normal.


GO - Além da medicina, às vezes, termina entrando em outros problemas?

PX - É. E essa questão também da tradição. Eu mesmo, politicamente falando, foi por conta da minha família, que foi política lá na região. Não é uma coincidência, mas a profissão de médico é convidativa para a política, porque quem se interessa por esse campo da saúde pública, de contatos, de reuniões, de atender, a gente quer ter oportunidade, através da política, de fazer mais pela sua região, do que ser simplesmente um médico. O nosso contato é diferente do de um empresário, que fica muito limitado aos seus negócios.


GO - Você se sente mais realizado como médico ou como político?

PX - Vou ser sincero, eu me sinto muito bem realizado como médico cirurgião, que é a minha profissão principal, é meu ganha-pão. Eu trabalho todo dia. Eu sou prefeito de Luís Gomes, mas nunca abandonei a medicina. Meu plantão oficial é no hospital regional de Pau dos Ferros, e até mesmo em outros municípios. E eu tenho uma coisa comigo: no dia 4 de outubro, um dia após a eleição, com a minha vitória, eu estarei dando plantão no hospital regional de Pau dos Ferros. O radialista ou qualquer outro profissional que é deputado pode trabalhar na sua profissão e, eu, com certeza, por convicção e até como juramento de minha profissão, eu sendo deputado não vou abandonar. Tenho certeza de que vou voltar a dar os meus plantões, que já estou com saudade, pois não trabalho há quase um mês. E eu passei a vida inteira quase sem ter férias, pois tirava poucos dias, nunca passei um mês inteiro de folga. Então, estou com saudade de operar, pois, não sei se vocês sabem, mas eu sou o cirurgião da região do Alto Oeste, com todo respeito aos meus colegas, que também fizeram muitas, que mais realizou cirurgias, as maiores, de hérnia para maior, chegando à soma de mais de 15 mil, e pequenas já são mais de 30 mil. Gosto da minha profissão, mas gosto da política, da oportunidade de servir ao povo, de trabalhar mais, de fazer mais, defender mais. Então, eu acho que está em primeiro lugar ainda a profissão de médico, mas sou um político que gosto do que faço, uma política bonita e limpa, tanto que sempre fui vitorioso.

Confira hoje na FM 95, às 18h. E às 18h a
entrevista na íntegra na TCM, canal 10.


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