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MÁRIO GERSON
O
jornalista Mário Gerson concede entrevista hoje, e fala sobre o seu
livro A Morte do Pescador, que será lançado no próximo
dia 21, às 19h, na Livraria Potylivros, ao lado do Teatro Municipal
Dix-huit Rosado, em Mossoró.
Entrevista concedida aos jornalistas Gilberto de Sousa e Luís Juetê.
Confira domingo na FM 95, às 18h. E às 18h, a
entrevista na íntegra na TCM, canal 10.
GAZETA DO OESTE - Você está lançando
o livro A Morte do Pescador, no dia 21. Como foi concebido esse livro?
MÁRIO GERSON - Esse livro surgiu de um resgate da
memória de um bisavô meu. Ao mesmo tempo, tentei narrar também
uma experiência que tive com pescadores, no litoral do Estado. Passei
uns dias na praia, observando a vida deles e como se comportavam. Coloquei
em substrato todas essas minhas impressões. Então, resgatei
a figura do meu bisavô, que era uma pessoa rude, do campo, e mesclei
com o pescador, surgindo daí a Morte do Pescador Jorge Jiménez.
Depois retirei o nome de Jorge Jiménez e coloquei: A Morte do Pescador,
dando nome ao livro, que se transformou numa pequena novela. Existe diferença
entre conto e novela. A novela não é aquela que se vê
na televisão, mas a novela literária. Então, concebi
esse livro, que foi escrito em 2001, dessa minha experiência no litoral
do Estado. Depois que escrevi esse material, ele passou sete anos sendo maturado,
revisado. Mudei uma coisa ou outra, e essas mudanças foram ocorrendo
gradativamente, tanto é que esse texto é a 13ª versão,
se não me engano, de um único texto que vinha trabalhando, já
de muito tempo. Geraldo Maia tem, em sua casa, quase todas essas versões,
desde a escrita até a definitiva, que é uma edição
do Jornal Plural, com o selo da editora Queima-Bucha, onde o livro foi impresso,
sendo patrocinado pelo jornal, através das pessoas de seus diretores
João Maria e Leontino Filho, tendo também minha participação.
GO - Com exceção da Fundação Vingt-un
Rosado, praticamente não existia outro selo, outras editoras. Observamos
que o livro A Morte do Pescador é exatamente uma produção
do Jornal Plural. Como está sendo esse trabalho desse jornal até
em relação ao incentivo dos nossos produtores e escritores nessa
questão?
MG - Primeiro, o Jornal Plural publicou o livro dividido
em fascículos nas suas edições. Como o jornal é
atemporal, topamos soltar a novela em fascículos e editar o livro.
Na verdade, ele não é um selo. Está como patrocínio.
O selo que está inserido é o da Queima-Bucha. Com a morte do
professor Vingt-un, respondendo a sua pergunta, a publicação
em Mossoró teve uma queda acentuada. As pessoas ficaram meio que órfãs.
Até na época da morte de Vingt-un surgiu a expressão
"órfãos da literatura". Foi aí que entrou Gustavo
Luz com a editora Queima-Bucha. Hoje, as edições estão
divididas entre ela e a Coleção Mossoroense.
GO - E tem atendido à demanda e expectativa do escritor?
MG - Tem e com qualidade. Hoje em dia o escritor não
é mais aquele que publica um livro colocando dois grampos e uma capa
de cartolina e o divulgando. Ele prima pela qualidade. As pessoas foram vendo
que necessitavam disso, inclusive com muita influência de Caio César
e de outras pessoas de dentro da Coleção Mossoroense, primando
mais pela qualidade. Os escritores foram mudando essa visão do que
é a produção de um livro. O livro deve ter ISBN, que
é um registro internacional e uma ficha catalográfica. Onde
o seu livro estiver, seja na Inglaterra ou na China, por exemplo, você
será identificado, como estando cadastrado na Biblioteca Nacional.
GO - Então, não tinham tais requisitos nas produções
literárias?
MG - Mossoró não tinha essa consciência,
que apareceu de uns tempos para cá, inclusive primando pela boa qualidade
do papel e da capa. Hoje são produzidas capas excepcionais em Mossoró.
GO - O livro conta a trajetória de só um pescador outras
histórias vão se desenrolando no decorrer da obra?
MG - Tem outras histórias. Inclusive há personagens
que são muito peculiares. Pois o livro trata mesmo da redenção
do homem em si. Jorge Jiménez, no início do texto, é
uma pessoa muito brutal, agressiva, que acaba por "falecer". Durante
a sua suposta morte, acontecem coisas ao seu redor que revelam a sua personalidade.
Por exemplo: quando as pessoas chegavam em sua casa e gritavam por ele, depois
das oito da noite, ele dizia, em alto e bom som, com a própria voz,
que não estava. Essas coisas começam a surgir, e ele, no desenrolar
da história, muda a sua personalidade. Daí surge outro Jorge
Jiménez, duas facetas no mesmo pescador são reveladas depois
da sua suposta "morte".
GO - Os personagens do livro são vivos, fictícios ou
você fez uma mesclagem?
MG - São todos fictícios. Antes que alguém
venha a se identificar com algum deles, alerto que a novela foi feita dentro
da ficção, mas, basicamente, em cima da naturalidade do pescador
que, como falei anteriormente, convivi com alguns, fui ao mar, acompanhei
uma pesca, vi como eles trabalham. É uma vida muito sofrida. Vemos
assim como se fosse uma coisa muito romântica, uma vida bela, mas não,
o pescador não só tem amor, tem muito sofrimento, tem angústia.
Só enxergamos isso convivendo dia-a-dia com eles.
GO - É constatado o mito de que histórias de pescador
são fantasiosas?
MG - Discordo. Diferentemente do que dizem, os pescadores
são pessoas honestas, simples e sinceras. É claro que naquele
momento das pescarias, em alto mar, noites e noites, estressados psicologicamente,
eles podem às vezes enxergar coisas absurdas; impressionam-se e, ao
contarem essas façanhas, aumentam um "dedinho" para "enfeitar"
as aventuras. Mas escutei muitas histórias interessantes. Contam que
em Ponta do Mel existia uma moça que era noiva de um rapaz. Ele prometia
para ela que, mesmo se morresse, voltaria para ela. Um dia, aconteceu. O rapaz
veio a falecer numa das pescarias. Tempos depois, a moça andava pela
praia quando uma cabeça humana chocou-se contra os seus pés.
Era a do seu noivo, supostamente. História contada, nessas minhas viagens,
por uma senhora que não lembro o nome... Não sei se verdadeira
ou não. O fato é que ninguém prova o contrário.
GO - Quanto tempo você conviveu com os pescadores?
MG - Em torno de um mês. Não ininterruptamente.
Viajava nos finais de semana, conversava com eles, mantinha contato para sentir
como eram, na verdade. São pessoas muito especiais.
GO - Esse é o seu quinto trabalho literário. Teve co-participação
no livro da história dos 30 anos do jornal GAZETA DO OESTE, uma experiência
com o escritor Hugo Galvão. A Morte do Pescador pode-se dizer que foi
a obra que, digamos, levou mais tempo para ser elaborada, ou todos tiveram
a mesma metodologia de criação?
MG - A Morte do Pescador demorou mais. Foram sete anos.
O livro sobre a história da GAZETA foi uma pesquisa mais dinâmica
que demorou 30 dias, para a escrita em si e mais uns dez dias para a diagramação.
GO - Os sete anos de maturação foram por conta de um
carinho mais pessoal pela obra?
MG - Também. É um texto que me emociona. Digo
que não gostaria que Jorge tivesse morrido. Não gosto de ler
essa parte, porque é de uma solidão muito grande. Na primeira
"morte", as pessoas começam a prejulgá-lo, a falar
mal dele, trazendo à tona coisas erradas cometidas por ele. Quando
o pescador acorda dessa "morte", fica com esse peso na consciência:
"Mas, eu estou vivo?" E as pessoas, que o respeitavam como pescador,
não tinham ciência do que acontecera realmente... a partir desse
"despertar", começam a se afastar dele e a encará-lo
como um morto-vivo, um fantasma. Não apertam mais sua mão, como
faziam. Ele, que era tão bruto, se tornar mais sensível às
coisas ao seu redor.
GO - Desse final um tanto quanto trágico, você chegou,
nesse período, a pensar em modificar o desfecho da história?
MG - Não. Desde o princípio a idéia
era essa. Alguma coisa me dizia que ele teria de morrer. Até porque
a morte, nessa questão, surge como uma redenção. Na literatura
russa você vai ver a morte também como uma redenção,
como um prêmio. Em algumas culturas, a morte é até uma
dádiva. Na nossa, ela é tida como um prejuízo à
sociedade, à geografia humana de uma cidade. Noutras, a morte é
como uma bênção, quando se é transferido para outra
existência.
GO - Como esse livro tem o tom novelístico, você deixou
alguma brecha para, se por um acaso isso tiver uma continuidade, escrever
"A Morte do Pescador II", III e assim por diante?
MG - Não. Eu acho que grandes escritores como Tchekhov,
Dostoievski tiveram esse sentimento de que: "era isso que eu queria dizer".
Quando você tem esse sentimento, não adianta querer aumentar,
tirar, estender mais a narrativa. Na sua alma, no seu interior, como pretenso
escritor ou intelectual, sabe que era aquilo, sente que é aquilo que
queria dizer: começo, meio e fim. Futuramente talvez eu queira falar
de outras coisas, mas não na "A Morte do Pescador". Talvez
na morte de outro...
GO - Você fala que passou muito tempo na feitura do atual livro.
Já tem em mente novos projetos em relação à produção
literária?
MG - Sim. Estou elaborando alguns contos, mas é coisa
nova para se falar, embrionária. E algumas memórias que recolhi,
durante esse tempo, da minha própria família. Pretendo publicar
tudo isso em forma de ficção. Uma homenagem aos meus antepassados.
As pessoas deixam morrer muitas histórias interessantes. Alguns escritores
parecem que colocaram aquele "tapa-ouvidos" que os gráficos
usam para não escutarem o barulho das máquinas. Na verdade,
alguns estão impedidos de ouvir o barulho do mundo. Nada é mais
interessante do que explorar o seu próprio redor, a sua própria
cultura, pois está ali, ao seu alcance. Muitos autores deixam de ouvir
o seu interior e tudo que o cerca, em detrimento de outras coisas que talvez
nem venham enriquecer suas obras. A oralidade é importante nesse livro.
E a oralidade do povo nordestino, em especial aqui da região praieira,
é muito rica em termos de conteúdo e história. Grandes
autores escutaram muitas pessoas para escreverem seus livros. Se analisarmos,
por exemplo, A Sangue-Frio, de Truman Capote. É um livro espetacular.
Truman era jornalista. Fez um relato sobre o assassinato de uma família.
Foi à delegacia ouvir o homicida. Na época, ele não escrevia
porque se intimidava, talvez. Chegava em casa com todas as coisas borbulhando
na mente, depois é que anotava. Patativa do Assaré, também.
Temos aqui Antônio Francisco, como exemplo.
GO - É como se já nascesse pronto?
MG - Justamente. Mas temos que ter o cuidado porque Schopenhauer
já dizia: há três tipos de autor: aquele que escreve das
suas reminiscências; o que escreve antes de pensar e os que pensam muito
antes de escrever. O último se encaixa no tipo mais raro. No caso,
há grandes autores como Balzac, Albert Camus. Existe uma obra desse
último fabulosa; chama-se O Estrangeiro. Muitos dizem que é
romance, mas o vejo como uma novela espetacular. Todo o texto é um
único drama. O personagem mata um árabe e tudo circula em torno
desse drama. As novelas têm essa característica, giram em torno
de uma temática, e isso é que dá força ao texto.
Ela é, ao mesmo tempo, um gênero difícil, porque nem é
romance nem conto. Exige muito mais. É menor em extensão, foca
um drama apenas e exige muita criatividade para trabalhar o assunto durante
todo o texto, sem cansar o leitor, não sendo nem conto extenso nem
romance. E há a dissertação sobre cada personagem...
além disso, exige economia de linguagem, dissertativa e de imagens.
GO - A cidade, o poder público, enfim, valorizam a cultura
como deveriam?
MG - De certa forma, sim. Não adianta reclamar demais.
Acho que as pessoas devem construir os seus caminhos. Agradeço muito
à dona Maria Emília a oportunidade que me concedeu na GAZETA,
desde 2005. Depois que entrei aqui, publiquei quatro livros, incluindo o esforço
que fizemos para publicar o livro dos 30 anos do jornal, em 2007. Ganhei o
Prêmio de Jornalismo Dorian Jorge Freire e a Prefeitura publicou a série
de reportagens em livro. Também o de poemas e A Morte do Pescador.
Mas, todos vieram desse amor pela escrita. Tive oportunidade. Muita gente
não tem. Não é só ter dinheiro e publicar um livro.
Precisa-se de talento para escrever, revisar, editar, mudar, etc.
GO - Produzir uma obra literária não é barato.
No aspecto financeiro, existem organismos que incentivam, como o poder público,
aqueles de baixa renda, no processo de produção?
MG - Há o Prêmio Fomento, todos os anos. Também
o Prêmio Dorian Jorge Freire de Jornalismo, o Prêmio Literário
Maria Sílvia de Vasconcelos Câmara, um da Coleção
Mossoroense, que não é do poder público, mas é
uma fundação que apóia o autor, com o patrocínio
da Petrobras, no Rota Batida III. O escritor pode mandar um romance, um livro
de contos ou de poemas e concorrer numa seleção pública.
Existem caminhos, como os concursos literários; importantes para quem
está começando. Ganhei esse prêmio de jornalismo e não
esperava a publicação do livro, mas como a série era
extensa, eles resolveram pela publicação, para servir de pesquisa.
Também concorri a mais dois prêmios, o Vingt-un Rosado de Poesia,
em 2001 (3º lugar), e o Prêmio Maria Sílvia de Vasconcelos
Câmara, em 2007 (1º lugar). Isso tudo é uma oportunidade
que é gerida por vários órgãos. Precisa-se estar
atento ao que acontece. O Rota Batida está aí. Qualquer um pode
mandar seu livro e concorrer. Se for um bom autor, certamente terá
seu espaço.
GO - Você, que faz poesias, contos, está fazendo novela
também, o que acha que é melhor absorvido pelo leitor?
MG - Essa é uma pergunta extremamente difícil.
Às vezes, a pessoa diz: "esse livro é tão bom, mas
não saiu da estante, não vendeu". Depende de que leitor
estamos falando. Se for um leitor exigente, certamente será mais meticuloso.
GO - E, de uma forma geral, ele lê mais o quê?
MG - A poesia tem saída muito fácil. Mas acho
que a prosa, hoje, tem muito mais. Existem muitos poetas. Na prosa, há
pouca gente. Tivemos uma perda nessa área, que foi Dorian Jorge Freire.
Antes de Dorian, Jaime Hipólito Dantas. Temos aí perdas históricas,
tanto na crônica, quanto no conto. A partir daí, as pessoas não
se interessam tanto pela prosa, na cidade. Muita poesia. E a prosa é
uma das literaturas que mais falam. Ela não é redução.
Poesia é quando se reduz tudo, na concisão em pequenos versos.
Tudo muito condensado. Na prosa, não. Explicamos. Então, acho
que a prosa tem muita penetração, apesar de a poesia popular,
sem sombra de dúvidas, ter um espaço generoso.
GO - Voltando a produções anteriores. O livro da GAZETA
foi concebido em 30 dias. Um trabalho em tempo recorde. Como foi essa missão?
MG - Eu morei na sede da GAZETA durante trinta dias, pois
passava maior parte do tempo pesquisando nos arquivos do jornal. Foi muito
doloroso, mas muito bom conhecer a história da GAZETA, porque, apesar
de tudo e dos percalços no meio do caminho, é um jornal forte,
atuante, inclusive em Mossoró e no interior do Estado. E foi o único
jornal do interior, senão do Estado, a ganhar o Prêmio Herzog
de Jornalismo, inclusive com matéria que está indo para a página
da ONU.
GO - O fato de ser sido concebido em 30 dias. Você não
acha que ficou faltando alguma coisa, pela exigüidade do tempo, não
prejudicou, ou saiu realmente a contento?
MG - Não totalmente a contento, porque em 30 dias
não se pode fazer tudo. Ninguém aqui é um Cervantes nem
um Balzac para fazer uma obra-prima nesse tempo. Esse livro está sendo
um referencial para o curso de Comunicação Social. A monografia
de Paulo Martins citou muito ele. Está sendo citado pelas entrevistas
que fiz com os editores que por ele passaram, como Emery Costa, Amâncio
Honorato, Carlos Santos e outros. Há muita coisa boa nele. Acho que
isso pode servir como fonte de pesquisa. É um material que fica para
a história. Nós, que trabalhamos em jornal, sabemos que o material
editado só dura 24 horas. Mas, o jornal, como registro, é uma
coisa extremamente importante. As pessoas não têm noção
da importância de uma folha impressa. Para o pesquisador, o arquivo
dentro da GAZETA é ouro. Nada melhor do que um jornal para relatar
os fatos. Mas, vale ressaltar, não devemos confiar totalmente. Nem
na literatura.
GO - No livro vemos muita coisa de bastidores, que o grande público
não conhecia...
MG - Há muita coisa de bastidores; só lendo
mesmo para entender. Também tem que voltar no tempo e fazer uma reflexão
sobre esses fatos. Aquele caso da polêmica que envolveu Canindé
Queiroz, diretor da GAZETA... Tudo deve ser avaliado minuciosamente: como
aquilo surgiu? Como foi despertado? E outros casos mais... Boas coberturas
foram feitas. Prêmios que o jornal ganhou. Tudo faz parte do jornal
que tem mais de 30 anos; todo esse tempo com uma boa história, mas
com percalços, dificuldades... Fazer jornal não é fácil.
GO - Esse seu livro de poesia, que tem um formato muito bom, e você
divide com o escritor Hugo Galvão... O livro de bolso atinge bem o
grande público, aquele que gosta de poesia? Como surgiu essa idéia?
MG - Hugo me ligou e disse: "Olha, quero fazer um livro
em que nós dois estejamos nele". Eu respondi: "Faça
o seguinte: coloque seus poemas do início até o final, e os
meus do final até o início".
GO - Foi uma brincadeira que deu certo?
MG - Deu. E pretendo continuar. Acho que o livro de bolso
é uma boa oportunidade para a população brasileira. Editoras
como L&PM publicam um livro a R$ 8,00. De Herman Melville, Bartleby, O
Escriturário, R$ 8,00. O Jogador, de Dostoievski, R$ 14,00. Não
há desculpas para não ler. Todos têm que tirar um pouquinho
do investimento para a leitura. É a redenção da alma
do homem. Acaba por transformar o homem. Tudo passa pela leitura, que vem
de uma base educativa forte, onde as escolas devem investir mais, inclusive
divulgando autores locais na sala de aula, incentivando a disciplina Cultura
do Rio Grande do Norte. Hoje, as escolas estão despertando mais por
pura exigência. Deveria haver uma maior abertura. Acho que, futuramente,
isso vai acontecer. A atenção dada à poesia popular com
Antônio Francisco trouxe muito isso à tona. Feiras culturais
temáticas, com autores locais, livros com entrevistas com nossos escritores...
tudo isso trouxe uma boa valorização. Se, por um lado, a poesia
popular é direcionada para uma determinada classe, por outro, ela abre
para que outras venham mostrar seu trabalho.