CARTAS DO IRMÃO MANOEL Amigos (as): PAX! Gosto muito da maneira como Jesus Cristo apresenta Deus aos seus discípulos: como um Deus próximo, que caminha conosco e se preocupa com todos nós. E quando nós temos alguém que amamos perto de nós, nós aproveitamos para conversar, trocar idéias, discutir e até brigar. Na primeira leitura da Liturgia de hoje vemos um episódio, no mínimo, insólito: a pechincha de Abraão com Deus por causa dos pecados de Sodoma e Gomorra. Abraão sabe que Deus é justo e que não prejudicaria o povo fiel por causa dos injustos. Em seguida, chega à conclusão de que os justos poderão salvar os pecadores. Puro atrevimento de Abraão e eu gosto muito dessa sua postura. Acredito também que Deus gosta muito de ser desafiado, porque vai, aos poucos, entrando no jogo dele até atender seu pedido insistente. Ele é atrevido, mas nem tanto, porque parou no número dez. Fazendo isso percebeu com mais nitidez que o projeto de Deus para a Humanidade passa pela justiça e qual a função dela (da justiça) na Sociedade. Mas existe outra passagem bíblica, no Antigo Testamento, que mostra com mais clareza isso que eu estou falando. Está no Gênesis 32, 23-33: a famosa luta de Jacó com Deus pela sua bênção. E aqui não se trata de luta no sentido metafórico da palavra, não. Os dois vão às vias de fato mesmo! E passam a noite inteira lutando corporalmente até que Deus o fere na coxa, o abençoa e muda seu nome para Israel, que significa “aquele que lutou com Deus”. A partir daí ele se dá conta que não pode manipular Javé como fez com seu pai e seu irmão. Jesus conhecia bem as Escrituras e, portanto, conhecia essas histórias. Por isso ensinou aos seus discípulos uma maneira simples de rezar, isto é, de falar com Deus. Para o Mestre nada de orações verborrágicas ou palavras complicadas nessa atitude simples e trivial que é conversar com o Pai, a quem chamava Abba, mesma coisa que Painho... Tenho dificuldades de me dirigir a Deus com excesso de solenidade e formalidade e já tive também as minhas brigas com Ele. E lhes asseguro que elas foram muito saudáveis e me ajudaram a compreendê-lO mais e melhor. Quando estava fora do Seminário e fugindo da Igreja como o inimigo foge da cruz fiquei muito incomodado com o insistente chamado de Deus para eu voltar pro Seminário e me ordenar. Era aquele desejo inconveniente, íntimo, secreto e chato que me perturbava, num momento da minha vida em que eu pensava estar perto de realizar um grande sonho: ser ator famoso e respeitado. Por outro lado, D. Gentil me assediava santa e sutilmente na esperança de me “reconquistar” outra vez para o seu rebanho. E, praticamente, me escrevia toda a semana. Um dia eu me aborreci seriamente com Deus e com meu Bispo, porque achava que eles estavam me atrapalhando, querendo me impedir de realizar meu sonho de criança e adolescente. E me dirigi a Deus com toda a liberdade dizendo-Lhe que Ele me esquecesse de vez e fosse procurar outro, um dos meus ex-colegas de Seminário, que eu estava querendo outra coisa e que, finalmente, me deixasse em paz. Logo em seguida escrevo uma carta pra D. Gentil narrando o sucedido, crente que ele se decepcionaria comigo e, portanto, deixaria de me importunar com aquela história descabida de voltar pro Seminário. Claro que ele não iria querer no seu presbitério um cara “louco” como eu. Mas a resposta dele foi surpreendente pra mim e talvez tenha sido decisiva para eu tomar aquela importante decisão. Nosso velho e santo bispo me disse que tinha adorado a minha carta e ainda afirmou que nunca tinha visto alguém com tanta intimidade com Deus a ponto de brigar com Ele. Graças a Deus e a ele eu não realizei aquele sonho, porque não era aquilo que iria me fazer feliz. Isso tudo só pra dizer que, acima de tudo, a nossa oração tem que ser verdadeira, brotar do coração... nem que isso signifique brigar com Deus. Podem acreditar... Ele gosta. A Santíssima Trindade, a Virgem Maria e Nosso Pai S. Bento nos inspirem sempre na nossa comunicação com Deus. Grande abraço do Ir. Manoel
FILME RAIMUNDO
ANTÔNIO CLÁUDER
ARCANJO J.
F. DA COSTA RÊGO ENTREVISTA REPORTAGEM MÚSICA
REGIONAL COLUNA
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