NILSON SILVA FERREIRA DA GAZETA Filho do agricultor Evangelista Nogueira da Silva e de dona Antônia Salustiana da Conceição, Antônio Nilson da Silva, desde pequeno, acompanhava o pai na labuta diária no campo, mas sempre teve uma "queda" pela música e, como bom sertanejo matuto, apreciava as belas canções do saudoso mestre Elizeu Ventania. O irmão Luiz Gonzaga (Guiga) comprou um violão em parceria com Nilson Silva, sob os protestos do pai, que, como muitos na época, dizia que violão era coisa para vagabundo. Mas Guiga bebia demais e, certo dia, empenhou o violão por uma despesa numa bodega da esquina. Nilson comprou sua parte para tirar o instrumento do "prego", ficando com ele só para si. E ia aprendendo aos poucos. Até encontrar com Zé Benedito, o Zé do Violão, canhoto como ele, que passou a ensiná-lo a tocar o instrumento. Um outro irmão, Chico, que é mecânico, também comprou um violão. Reuniam-se na casa dele ou iam para o sítio do pai fazer forró pé de serra ao violão. E Nilson Silva foi dominando o instrumento, passando do carimbó português, de Roberto Leal, e do forró de Luiz Gonzaga para as canções de Elizeu Ventania, já que é fã incondicional do saudoso poeta, a ponto de alguns amigos do Sêbado, de Marcos Pereira, chamá-lo carinhosamente de Elizeuzinho. MUDANÇA - Nilson Silva se casou aos 22 anos de
idade. Com isso, abandonou a música completamente. Foram seis anos
sem ter contato com o violão. Acha que esqueceu tudo que sabia.
Saiu da agricultura para a construção civil. Fez curso de
eletricista e encanador residencial. Sua sogra falou com dona Ditinha,
saudosa mãe do meu amigo Doziteu Ozanan, na época gerente
de alimentos e bebidas do Hotel Thermas, que deu oportunidade a Nilson
Silva. Foi trabalhar de commins de bar (auxiliar de garçom). Aprendeu
rápido. Passou a ensinar a outros, como a Deuzimar e Dorgival,
irmãos de Doziteu. Chegou a ser cozinheiro. Fez teste em hotel
três estrelas, mas a famigerada bebida não o deixou subir
na profissão. Foi pizzaiolo da La Pin, no Coelhão, vendedor
de crediário. Fez de tudo um pouco. Certo dia, numa mesa de bar,
cantava as canções de Elizeu Ventania, quando chegou o poeta
Antônio Francisco e começou a pedir canções
como Recordação do Passado, Folha Seca, Ilusão. Em
seguida passou a declamar o poema Meu Sonho, de sua autoria. Nilson ficou
maravilhado e pediu-lhe uma cópia daquele poema. Os afazeres e
esquecimentos não deixaram Antônio Francisco trazê-la.
Quatro anos se passaram. Acha que a vida foi injusta com ele. Chegou à
sarjeta. Foi levantado pelos evangélicos, quando o irmão
Augusto levou-o para trabalhar na Rolim Engenharia, onde era supervisor.
Fez dois cursos pelo Senai: eletricista rebobinador, monofásico
e trifásico. Nessa atividade, contraiu três hérnias
de disco, o que o levou ao leito, sendo afastado definitivamente do trabalho,
desde 2004. Recebe benefício do INSS. Como não chegou o
poema anterior, Nilson pegou a cópia de A Casa Que a Fome Mora,
também de Antônio Francisco, inspirou-se e fez o primeiro
poema, Saudade, Felicidade e Amor. Depois fez Deus, o Homem e o Pecado,
e O Primeiro Homicídio, inspirados na Bíblia. Começou
a receber críticas pela falta de metrificação, rima
e coisas que a poesia exige. Antônio Francisco e José Ribamar
comentavam que o seu trabalho estava muito bom. Mas Concriz teve a coragem
de marcar um ensaio na casa de Nilson. Não era ensaio nenhum. Depois
de muitos arrodeios, disse que o seu trabalho não estava combinando
com a poesia legítima, por estar desmetrificado e faltar rima.
E deu-lhe uma explicação de meia hora. Veio a inspiração
para fazer O milagre de Um Poema.
LEONTINO
FILHO RAIMUNDO
ANTONIO CLÁUDER
ARCANJO MÁRIO
GERSON ENTREVISTA REPORTAGEM OPINIÃO COLUNA
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