
O
TRIO MOSSORÓ
Marcos Batista
Músico
Especial para o Expressão
Já
faz décadas que a habilidade musical dos mossoroenses é
reconhecida no cenário artístico-cultural, quando se apresentam
fora da cidade. Entre eles está o Trio Mossoró, grupo
com trabalho e reconhecimento dos grandes artistas, tanto da MPB, quanto
aos de suas origens, nordestinos.
Nascidos neste município, Oséias Lopes, Hermelinda e João
Batista Lopes, três dos 16 filhos do despachante Messias Lopes
com a doméstica Joana Almeida. Por terem músicos na família
foram influenciados e ainda adolescentes despertaram para a arte dos
sons.
Oséias Lopes foi o primeiro a despontar neste ramo, pois nos
anos cinquenta foi convidado por Canindé Alves para cantar no
seu programa na Rádio Tapuyo de Mossoró, onde Oséias
passou a ser remunerado e fazer apresentações ao vivo.
Neste tempo tinham o nome de “Oséias Lopes e seus cangaceiros”.
Seguindo sua intuição, migrou para o Rio de Janeiro em
busca de sucesso, embalado pelos gêneros nordestinos, mais conhecidos
por “forró pé de serra”. Neste tempo tinha
como referência, a exemplo de inúmeros sanfoneiros, Luiz
Gonzaga, aclamado o rei do baião.
Chegando à cidade maravilhosa, passou a trabalhar com esmero
no que de melhor sabe fazer, cantar e tocar acordeão. Teve certa
dificuldade para encontrar percussionistas que lhe acompanhasse nos
forrós. Isto fez com que ele contatasse seu pai para enviar os
irmãos Hermelinda e João, pois pretendia formar um trio.
A situação não era fácil, pois esta tinha
apenas 14 anos e o outro, 13. Ao se reunirem com o “cabeça”
do trio, dependiam ainda da autorização das autoridades
locais para que os adolescentes trabalhassem no período noturno.
Outra coisa para ser tratada foi a denominação do trio,
pois os produtores achavam feio “Oséias Lopes e seus cangaceiros”,
disse João Mossoró. Então falaram: “Três
pessoas de Mossoró! Trio Mossoró”. E assim ficou.
O primeiro trabalho lançado aconteceu em 1962 e tem por título
“Rua do Namoro”. Esta obra fez os mossoroense mais conhecidos
e cada vez mais solicitados para tocar. Em 1965 já tinham lançado
o segundo LP, e uma das faixas era “Quem foi vaqueiro”,
considerado o melhor disco de música regional. Isto lhes rendeu
o prêmio de maior importância da música brasileira,
o troféu Euterpe, e para maior surpresa deles, receberam o prêmio
no Teatro Municipal e viram na plateia Elis Regina, Jair Rodrigues e
Maria Betânia, entre outros ícones da Música Popular
Brasileira.
Tiveram a satisfação de não apenas conhecer, mas
tornarem amigos daquele que lhes inspirou na empreitada, Luiz Gonzaga.
João, por ser franzino de corpo, recebeu de Luiz o apelido de
“Sibito”.
No auge da “jovem guarda”, nos anos sessenta, outro sucesso
do Trio foi “Santo de Barro”, do compositor e poeta mossoroense
Iremar Leite. Também gravaram composições de outros
cantores, entre elas, “Cavalgada”, de Geraldo Vandré.
Em 1972, Oséias Lopes teve algumas ideias contrárias a
dos irmãos, e isto pôs fim ao Trio. Mas antes de se separarem,
fizeram apresentação na cidade natal, onde foram recepcionados
com o reconhecimento devido e homenagens. Somente depois de muitos anos
voltaram a se apresentar em Mossoró, desta feita no Mossoró
Cidade Junina, em performance individuais.
As obras compostas somam dez LPs, três compactos e dois LPs em
coletâneas, alegrando o país com os estilos nordestinos
e projetando o nome de Mossoró ao mais alto patamar do nosso
imenso cenário musical.
Com a separação do trio, Oséias mudou seu nome
artístico para Carlos Alexandre e fez carreira solo. Em 1974
chegou a vender um milhão de cópias de discos; fixou morada
em Recife, onde assumiu várias atividades, entre elas a de dirigir
a gravadora Siboney Music, nela trabalhou para Luiz Gonzaga, dentre
outros. Hermelinda passou a atender por Ana Paula e a cantar gêneros
românticos. Também fez grande sucesso. João Mossoró
passou a ser produtor cultural, a compor e a gravar CDs.
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