Cinema para o interior

Documentário foi lançado em Mossoró e retrata o Rio Grande do Norte

Mário Gerson
Da Redação

Foram dois meses de trabalhos no RN. E agora o Cinema no Interior possui um documentário onde retrata a história do Estado, lançado na sexta-feira, dia 5, intitulado Rio Grande do Norte, Imagens e História. Todo o trabalho foi realizado, segundo Marcos Carvalho, idealizador da iniciativa, com apoio dos moradores.
Com produção da Mont Serrat Filmes, a iniciativa também confeccionou um catálogo trilíngue (português, inglês e espanhol), com fotografias de várias partes do Estado. O catálogo teve o patrocínio do Programa BNB de Cultura, apoio do Exército Brasileiro e das Prefeituras de Mossoró, Areia Branca e Touros.
Segundo Marcos Carvalho, a ideia surgiu tempos depois de viajar pelo interior. "Na minha infância tive uma experiência muito boa visitando diversas regiões interioranas, como assistente de um fiscal do Banco do Brasil. Acho que foi marcante aquele período. Não tinha noção, mas a forma simples, humilde e receptiva do povo interiorano - especialmente da zona rural - me cativava muito. Ao entrar na ETFSP, onde me formei como eletrotécnico, trabalhei no laboratório do audiovisual. Minha função era passar filmes, em 16mm, para os estudantes. Havia debates, etc. Depois fui parar na coordenadoria do audiovisual. Nesse período já fotografava, filmava e editava. Com o tempo fui trabalhar na coordenadoria de comunicação social da escola. Foi quando comecei a formatar o Cinema no Interior: ficava imaginando aquela estrutura nas comunidades que havia conhecido há uns quatro anos", explica o produtor.
A ideia deu certo. A partir de então, Marcos Carvalho teve apoio de algumas pessoas. "E foi se desencadeando o envolvimento de personagens como Bere Bahia, Tairone Feitosa, Wagner Miranda, Matheus Nachtergaele, entre outros", destaca.
Quando interrogado sobre como está sendo a experiência de redescobrir as riquezas do interior, ele destaca que a satisfação tem sido grande. "É um trabalho realizado com paixão. Estou descobrindo um Brasil às vezes sofrido, mas em sua essência, muito forte, rico, bonito e por vezes mágico. Estou me descobrindo e aprendendo muito. Basta dizer que é comum, em nossas despedidas, momentos de emoção e choro. Para falar a verdade, me identifico muito com as pessoas, nosso público alvo", diz.
Uma das coisas que os documentaristas notam é que a rotina da comunidade muda. "A capa do livro de AL é de um cidadão que nunca havia sido fotografado, nem pra documentos. Em Pernambuco, uma senhora de idade se assustou ao ver sua própria imagem (curta-metragem Santana & Sebastiana). A última vez que se viu foi para tirar seus documentos, quando mocinha. Muitos estudantes da zona rural nunca antes haviam operado uma câmera. No final, realizamos cerimônia para entrega de certificados e homenagens aos personagens destacados, participantes com aproveitamento. Um dos nossos principais focos é a zona rural, comumente lugares carentes de iniciativas que promovam a cultura e o entretenimento. Ressalto que nosso projeto tem uma preocupação em manter o desenvolvimento dos trabalhos em cada região, para que a iniciativa não seja algo passageiro, que a população envolvida guarde apenas na lembrança aqueles momentos, mas que os trabalhos sejam aperfeiçoados e continuados", explica Marcos.


'Pretendemos trabalhar em todas as regiões do Brasil’

Segundo Marcos Carvalho, a ideia é que o projeto não se restrinja apenas a algumas regiões, mas atinja até outros países. "Pretendemos trabalhar em todas as regiões do Brasil e pelo menos em um país de cada continente. Faz parte do formato original do projeto", destaca ele, ressaltando que uma das características da iniciativa é a de mapear culturalmente o Nordeste brasileiro. "O que realizamos é apenas uma mostra da diversidade cultural, resultante de uma equação que envolve variáveis como: determinação, carinho e satisfação pelo que se faz, colaboração de instituições públicas e privadas, artistas, vários segmentos da imprensa e, sobretudo, das próprias comunidades envolvidas, que muito colaboram e se doam", frisa.
Marcos acrescenta que atualmente o grupo conseguiu aprovar, no edital do BNB de Cultura, em parceria com o BNDES, o Cinema no Interior - Etapa Piauí. "O que me deixa muito feliz é que para esta etapa vamos instalar placas de identificação: Núcleo Piauiense de Pesquisa e Produção Audiovisual, por exemplo, em cada município contemplado com a nossa visita. Outro avanço é que vamos doar computadores portáteis e câmeras fotográficas semiprofissionais aos estudantes selecionados. Na verdade, um grande sonho do projeto, para que seja continuado e aperfeiçoado pela própria população local, com o devido suporte da iniciativa", destaca.
O idealizador ainda ressalta que essa é uma forma dos jovens em geral terem uma oportunidade e um possível campo de atuação. "É exatamente essa oportunidade que imagino estar gerando a muitos que, como eu, intuitivamente, aguardavam uma chance como essa. Não tenho dúvidas do quanto isso pode ser marcante na vida e na formação de muitos concidadãos dos rincões interioranos do nosso Nordeste brasileiro", explica.
O documentário trata desde a tentativa de invasão de Lampião em Mossoró à literatura de cordel. Além disso, o poeta Antônio Francisco recita poemas e integrantes do projeto Flauta Mágica e da Orquestra Sanfônica de Mossoró participam do documentário com músicas regionais.

CINEMA NO INTERIOR - A proposta do Cinema no Interior está em sua segunda fase e já passou por Alagoas, Sergipe, Ceará e Pernambuco, sempre com atividades priorizando as comunidades rurais, indígenas, quilombolas e ribeirinhas. As próximas etapas serão no Piauí, Maranhão, Paraíba e Bahia.
De acordo com a equipe, o projeto passou pelas regiões da Serra Gaúcha, Foz do Iguaçu, Planalto Central, Litoral, Vale do São Francisco, Pantanal e Amazônia. O objetivo era ter uma visão geral do Brasil para, então, focar o Nordeste.



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