nosso torrão. Esteja esbanjando sucesso ou apenas despontando no meio, tendo potencial, Mossoró acolhe e lhe oferece mercado. É o que acontece com Janekelly da Silva Lira, essa menininha nascida em Pau dos Ferros, de Padre Sátiro, Canindé Queiroz e Soraya Vieira. Com o apelido que foi dado na infância, Kekelly Lira não surgiu à toa, pois vem de uma família de 14 irmãos, quase todos artistas, tanto na música quanto na pintura, filhos do casal João Francisco de Lira e dona Jandira Leonor da Silva (in memoriam). A exemplo dos demais irmãos, desde pequena Kekelly Lira cantava em grupos vocais na Igreja Assembleia de Deus, à qual a família era congregada. Por óbvios motivos, nunca sonhou cantar na noite, apesar de ver a irmã Nida Lira, que na realidade se chama Josenilda Cristina da Silva Lira, arvorar-se em fazer participação na música ao vivo em Pau dos Ferros. EM MOSSORÓ - Terminando o ensino médio, Kekelly Lira se transferiu para Mossoró, onde veio cursar faculdade de História na Uern. A irmã Nida Lira já morava em nossa cidade e participava de bandas com Paula Neto, seu marido naquela época. E foi através deles que Kekelly ganhou a oportunidade de fazer back vocal na banda de Thábata Mendes. Isso se deu de 2006 a 2008. No mesmo 2008 participou de Festival da Canção promovido pela Assembleia de Deus, sendo classificada em Mossoró e ganhando o prêmio de melhor intérprete, em Natal. Conheceu músicos como Gideão Lima, que a incentivou. Montou um repertório e foi fazer música na noite. Continua fazendo sucesso, geralmente acompanhada por Diego Nunes ou Anderson Lima ao violão, ou Gideão Lima ao violão ou ao piano. Está se destacando sobremaneira no projeto Corredor Cultural, promovido pela Gerência de Cultura, quando se apresenta na Praça de Convivência da Avenida Rio Branco, com um repertório recheado da boa MPB, contando sempre com casa cheia, devido à preferência do público pela sua bela voz. Tanto agrada que foi escalada para se apresentar na abertura do projeto Corredor Cultural para o ano de 2010, quando estará desfilando um repertório fino na Praça de Convivência. AS BRASILEIRAS - A gravidez de Nida Lira, que culminou com o nascimento de Alícia, impossibilitou a sua participação no projeto criado por Toinha Lopes e Katharina Gurgel, As Brasileiras, que na edição de 2009 trouxe o título de As Brasileiras na Era do Rádio. Foi a vez de Kekelly Lira fazer teste para substituir a irmã. Não tinha como ser diferente. E lá foi ela se juntar ao grande elenco que foi e é sucesso total em Mossoró e todo o Rio Grande do Norte, tal a qualidade do musical que lotou os teatros nos quais se apresentou, inclusive nas reapresentações. Encantaram a assistência as vozes de Khatarina Gurgel, Alzinete di Oliveira, Dayanne Nunes e Kekelly Lira. A direção e produção musical ficou a cargo do maestro Gideão Lima ao piano; Carlinhos Melo na bateria; Fábio Monteiro ao cavaquinho, bandolim e violino; Gibson Alves, guitarra e violão; Íris Emanuella, flauta doce, flauta transversal, pífano e sax soprano; Maxwell da Silva no contrabaixo; e Sidney Félix na percussão. O rico repertório trouxe "Cantoras do Rádio", de Alberto Ribeiro, João de Barro e Lamartine Babo; Ai, Iô Iô (ou "Linda Flor"), de Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto; "Fim de Caso", de Dolores Duran; "Ave Maria no Morro", de Erivelton Martins; "A Noite do Meu Bem", de Dolores Duran; "Vingança", de Lupicínio Rodrigues; "Nem Eu", de Dorival Caymmi; "Camisa Listrada", de Assis Valente; "Devolvi" e "Lama", de Adelino Moreira, Paulo Marques e Alyce Chaves; "Odeon", melodia de Ernesto Nazareth e letra de Vinicius de Moraes; "Alguém me Disse", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia; "Que Será?", de Marino Pinto e Mário Rossi; "Kalu", de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga; "Carinhoso", de João de Barro e Pixinguinha; "Onde Anda Você?", de Hermano Silva e Vinicius de Moraes; "Pedacinho do Céu", de Waldir Azevedo e Miguel Lima; "Saudosa Maloca", de Adoniran Barbosa; "Olhos Verdes", de Vicente Paiva; Pout-porri "Ó Abre Alas", de Belém, B. Lobo e Hinha; "Bandeira Branca", de Max Nunes e Laércio Alves; "Tomara que Chova", de Paquito e Romeu Gentil; "Chiquita Bacana", de João de Barro e Alberto Ribeiro; e "Onde Está o Dinheiro?", de Paulo Barbosa, Francisco Mattoso e José Maria de Abreu. Kekelly Lira, que já era fadada ao sucesso, cresceu mais sua cotação depois do musical. COMPOSIÇÕES - Kekelly Lira inspirou-se em intérpretes da MPB, assim como internacionais, desde que suas músicas a agradassem. Acha que o ícone da interpretação feminina ainda permanece Elis Regina, passando por outros de igual quilate, chegando a admirar a cantora Mariah Carey. Acha que naturalmente aflorou-lhe a veia poética, passando a compor músicas e letras, às quais pretende levar a público na hora certa. Perguntada sobre como se processava, ela diz que a letra vai fluindo junto à música, desembocando igualmente na sua cabeça. Tivemos esse papo na aula de violão que frequenta, que tem à frente dos ensinamentos os professores Guido e Denílson, no pátio do Memorial da Resistência. Quando ela aprender a tocar, vai ser o "bicho". Boa sorte a Kekelly Lira.
A VELHINHA DE PRETO RAIMUNDO
ANTÔNIO CLÁUDER
ARCANJO J.
F. DA COSTA RÊGO ENTREVISTA REPORTAGEM DOCUMENT[ARIO
LITERATRA COLUNA
|