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LUIZ FÁBIO

FERREIRA DA GAZETA
Especial para o Expressão
JOFERFILHO@HOTMAIL.COM

Conheci Luiz Gonzaga de Oliveira através de alguns amigos comuns. Já o conhecia de vista, mas nunca nos havíamos aproximado um do outro. Como na música essa aproximação se dá normalmente, encontrávamos para varar a noite por bares e restaurantes da cidade, a bordo do meu fusquinha 76, violões em punho, comumente amanhecendo sentados "confortavelmente" debaixo das goiabeiras do antigo "Bar da Rola", próximo à Polícia Rodoviária Federal, na BR-304, saída para Natal, com a lua insistindo em penetrar nas frestas das folhas, desenhando seus raios sobre o chão, como diriam Orestes Barbosa e Sílvio Caldas, um "Chão de Estrelas". Seu Manoel Alves de Oliveira e dona Joana Maria formavam um casal tradicional, morando na Avenida Presidente Dutra, 1173, casa onde hoje está localizada a fábrica de querosene da Petrobras. Ali nasceu Luiz Gonzaga. Vale lembrar que, anos depois, o nome do seu falecido pai, numa justa homenagem, a rua que faz cruzamento com a que ele morava, por proposição dos vereadores da época Herbert Mota e Paulo Davi, recebeu o nome de Manoel Alves de Oliveira. Pinço informações do seu site www.luizfabio.com.br: "Era uma vez, em algum momento do passado, na cidade de Mossoró-RN. Um dia a intuição materna deu um brado de certeza na alma de uma doce mulher chamada Joana que vivia ali o início de sua 17ª gravidez, quando plena de convicção falou para o seu esposo Manoel: 'Sinto que essa vida, que começa a se formar aqui dentro de mim, será um menino, e quero que você concorde comigo em colocar o seu nome de Luiz Gonzaga, porque ele vai ser um cantor'. A profecia da mãe começa a se realizar, e num dia de sábado, 1º de setembro, o menino nasceu. Logo aos três anos de idade, já escolhido pela música, o menino vivia batendo com as pontas dos dedos nos peitos e tocando pela casa. Foi quando, aos cinco anos de idade, para alimentar a sua previsão, a mãe comprou um violãozinho de cordas de nylon. Foi uma festa para aquele menino chamado Luiz. Aos dez anos de idade, o menino rompeu as barreiras da casa e participou pela primeira vez do concurso 'A Mais Bela Voz Potiguar', apresentado pelo lendário locutor local Seu Mane, da Rádio Rural de Mossoró. E o menino Luiz ganhou em 1º lugar 'A Mais Bela Voz' do bairro. Em anos seguintes voltou a participar do mesmo concurso e, em outras vezes, ganhou pelo bairro, chegando a ser campeão da cidade de Mossoró". Lembro de quando esse concurso era realizado no "Cine Centenário", hoje sede do Sindicato da Lavoura, ali no Alto da Conceição. E foi com a música de Jerry Adriani, "Não Me Pergunte Por Ela", que ele ganhou pela primeira vez. Ri quando conta a emoção sentida no dia em que saiu vencedor, pois foi preciso a nossa saudosa "Guarda Mirim" fazer cordão de isolamento para a sua saída do local. Foi a glória.
Luiz Gonzaga é autodidata. Alguns artistas da época o inspiraram, como Fábio Jr., Djavan, mas diz que, no item obstinação em procurar a perfeição, assemelha-se a Roberto Carlos. Nasceu a veia poética de Luiz Gonzaga. Começaram a surgir suas composições. Foi campeão numa das edições do Festival de Compositores (FECOMP). Começou a assinar composições nos discos dos cantores da região. Depois de cantar em várias bandas da cidade, aconteceu o desligamento de Aderson Faustino do grupo "Os Bárbaros", surgindo, através de Aldeci, o convite para ser crooner, atividade muito almejada pelos que fazem da música profissão. Um ano se passou. Mas ele não se contentava com o pequeno. Resolveu ir para o Sudeste, onde as oportunidades de sucesso são mais consistentes. Meu amigo Dedé Alves, seu irmão, levou-o ao Rio de Janeiro, segurou seu braço por três dias e o soltou na selva de pedra para se aventurar no mundo artístico. Dois anos de Rio. Resolveu mudar para São Paulo, onde passou quatro anos. Entre boates e bares, porta de emissoras de TV e rádio, arriscando apresentações em programas de famosos, não foi tão bem-sucedido como o esperado, mas ganhou alguma experiência. Na paulicéia cantou por diversas casas noturnas, como "O Tabuleiro da Baiana" e a "Tallboite", ambas no bairro de Pinheiros Motivos particulares fizeram com que ele retornasse à nossa terrinha. Em 1987, época da implantação da primeira TV repetidora do Rio Grande do Norte, a TV Ponta Negra, em Natal, o seu proprietário, saudoso ex-senador Carlos Alberto de Souza, famoso por descobrir talentos potiguares para o mercado nacional, como Gilliard e Carlos Alexandre, também deu oportunidade ao menino Luiz Gonzaga. Foi a realização de um sonho que há muito tempo era alimentado. Em 1988 chegou ao mercado fonográfico local, lançado pelo selo "Ponta Negra Record", o seu primeiro LP, intitulado "Te Amo Tanto", em parceria com a atual prefeita eleita da capital, Micarla de Souza, filha do seu padrinho, com ótima aceitação por parte do público, sendo de vital importância para a carreira profissional que ora se iniciava. No ano seguinte, 1990, foi lançado o seu segundo LP, sendo seqüenciada a aceitação por parte do público e da crítica local.
Mas o desejo de crescer como profissional, alçar vôos mais altos, encorajou-o a retornar ao Sudeste. No dia 19 de janeiro de 1993, já com o nome artístico Luiz Fábio em definitivo, desembarcou em São Paulo "cheio de esperança e fé em Deus, para batalhar pelo seu sonho recorrente, não de fazer sucesso pelo sucesso, mas sim de fazer uma carreira sólida para a sua própria satisfação, e também de conquistar o reconhecimento daqueles que tiverem a oportunidade de conhecer o seu trabalho", ainda segundo seu site. Incansavelmente, diuturnamente, desenvolveu seu trabalho como compositor, cantor e instrumentista, apesar de se dizer um violonista limitado, mas começou a ser reconhecido. Nesses quase 16 anos em São Paulo tem mais de 200 músicas gravadas por outros cantores. Em 1997 gravou seu terceiro disco e primeiro CD, intitulado "Um Homem Apaixonado", quando teve a parceria de Tivas, compositor do estilo sertanejo. Wanderley, tecladista de Roberto Carlos, há mais de dez anos, levou uma de suas músicas para ser analisada pelo "rei", a qual foi trabalhada, chegou a ser gravada em estúdio, mas não foi inserida em nenhum trabalho de Roberto. O seu vizinho DJ Negrão, careca e de gravata rósea (hoje na Band), do programa do "Ratinho", fez a ponte levando16 músicas de Luiz Fábio, sendo todas interpretadas naquele programa pelo cantor Ari Maia.
Segundo o site, "no ano de 2004 foi lançado o seu quarto disco com o título 'Luiz Fábio - Volume 4', que tem como subtítulo 'Alô, Dona Mídia', nome de uma canção composta logo que chegou a Sampa, e que seria o retrato cantado da história da vida e da arte do menino Luiz, desde a intuição de sua mãe até os seus anseios e batalhas na cidade grande. A música 'Alô, Dona Mídia' está inclusa no seu quinto CD como bônus. Muitas outras coisas bacanas aconteceram na carreira consistente e paulatina do menino Luiz, mas, a aceitação e o carinho que o Luiz Fábio recebeu de duas das mulheres mais importantes da televisão brasileira, Ana Maria Braga e Hebe Camargo, foi imperativo para ele entender que está no caminho certo e que tudo dá certo na hora certa. Primeiro foi a música 'Ana, Eu Sou Mais Você', feita para recepcionar a apresentadora Ana Maria Braga quando ela estava voltando para a TV, depois daquele susto que nos deu com a sua saúde, e também pela ocasião do seu aniversário em que foi feito um clip memorável pela TV Globo. O outro momento inesquecível foi quando a rainha da televisão brasileira, Hebe Camargo, recebeu Luiz Fábio em seu programa e se inundou de emoção ao vê-lo e ouvi-lo homenageá-la com a música 'A Dama da Televisão'. Luiz Fábio está lançando o seu quinto disco. É um momento de amadurecimento e mais consciência profissional. Com o título 'Quem é você', é um disco que vai de A a Z, em se tratando de estilo musical, onde Luiz Fábio pode demonstrar a sua versatilidade viajando pelo universo das canções, que vai desde as baladas românticas, passando pelo xote, a salsa, o samba, o axé-nerão, o chacundum e o forró, até chegar ao blues-jazz, que é o caso da música da Hebe".
Em relação a essas músicas em homenagem às apresentadoras da televisão brasileira, conta Luiz Fábio que recebeu uma chamada telefônica e, do outro lado alguém se identificava como Cacá, diretor de Ana Maria Braga. Pensando ser um trote, ainda pensou de responder: "Prazer, sou Michael Jakcson". Mas era sério. Foi ao programa da Globo e cantou "Ana, Eu Sou Mais Você" para a emoção de todos. Outro "susto" foi quando também recebeu uma ligação de Fernanda Félix, produtora musical do programa da Hebe Camargo, convidando-o a se apresentar. Como ele diz: "Foi show de bola". Tem um trabalho social muito importante na Paróquia de São Francisco, em Vila Mariana, onde mora, quando fez uma música em homenagem àquele santo. Vice da música e do que recebe em direitos autorais. Não havia artista na família. Depois que iniciou seu trabalho, veio a sobrinha Gorete Alves, que canta como ninguém e, no início, chegou a cantar com ele uma música que exige dueto. Também a irmã Silvana Alves tornou-se poeta e escritora. A conversa com Luiz Fábio, o meu amigo Gonzaga, foi curta em virtude da correria para atender aos compromissos com a imprensa e programas, além da cobrança de visita dos familiares, que são muitos. Encontrei-o depois de entrevista no programa "Entre no Clima", apresentado pelos jovens David Almeida e Luana, já se preparando para o programa "Coisas do Sertão", apresentado pelo cantor-poeta Zé Lima, ambos da TCM - TV Cabo Mossoró. Já deve estar em São Paulo quando da publicação dessas linhas. Por esse motivo é que a maioria das informações foi tirada do seu site www.luizfabio.com.br. Que Deus continue a iluminar o homem de fé Luiz Fábio.