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Impulsos & raciocínio

Yogo Rosado
Economista

Sobreviver é uma prática contínua que exige reações exatas e tempestivas. Nossos ancestrais, quando ainda não tinham a capacidade de socialização bem desenvolvida, ao encontrar um desconhecido, tinham de avaliar, no mesmo instante, se estavam diante de um inimigo, que lhe comeria as entranhas, ou um provável amigo que lhe ajudaria nas caçadas. O engano no julgamento talvez significasse a morte. Era forçado primeiro a se defender e só depois analisar a conjuntura incorporando as informações. Só sobreviviam os paranóicos intuitivos, prudentes e precavidos.
Com o correr dos séculos estamos perdendo estes requisitos. Apesar de saber que é uma forma ardilosa, costumamos resolver os problemas com o impulso da primeira resposta, ignorando deduções cartesianas e ponderações. O ser humano, para exercer a função social, não basta existir, precisa contextualizar e repassar o assimilado.
A função da educação é zelar para que este domínio avance rápido e aprimorado. Começamos a morrer ao desistir do saber. Se estivermos vivos temos o que aprender. O desafio pedagógico continuado é responsável pelo rápido êxito chinês e indiano. Eles substituíram o método convencional, contextualizado na transmissão memorizada do conhecimento, pela utilização. Para Kant, "Quem decora fórmulas, mas não sabe aplicá-las é idiota". Se o aluno não assimilou é porque não houve interatividade. Ler não é suficiente. É necessário interpretar e intervir. Constantemente tem-se de encontrar métodos mais eficientes para aprender a aprender, realizar as coisas e repassar aos demais. Cabe aos docentes planejar processos evolucionários mais adequados.