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Fed
vê risco de crise longa e ‘severa’ nos Estados Unidos
Preocupações com o risco de recessão nos Estados Unidos
levaram os membros do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) a
votarem pela redução da taxa básica de juros local
em 18 de março, informou a ata da reunião do Fomc (Comitê
Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês) do Fed divulgada ontem.
Entenda a crise
que atinge a economia dos EUA - Na reunião, os juros foram cortados
em 0,75 ponto percentual, para 2,25% anuais, com oito votos a favor e dois
contra. Trata-se da menor taxa desde dezembro de 2004.
Segundo a ata, alguns membros do Fed indicaram a possibilidade de ocorrer
uma "prolongada e severa" desaceleração econômica
no país. Tal preocupação foi determinante para o corte
nos juros, o mais profundo em mais de 25 anos.
Os integrantes do BC americano disseram que previsões sobre o nível
de atividade econômica e sobre a inflação em médio
prazo tinham se deteriorado nos últimos meses. A tensão nos
mercados financeiros tinha crescido significativamente desde a reunião
do Fomc de janeiro, com o preço das casas caindo mais do que o esperado
e o enfraquecimento do mercado de trabalho reduzindo ainda mais a confiança
do consumidor.
A ata diz que os membros do Fed "indicaram uma contração
no PIB [Produto Interno Bruto] no primeiro semestre, seguida por uma recuperação
lenta no segundo semestre." Uma contração em um semestre
corresponde à definição mais aceita para recessão.
Já no quarto trimestre do ano passado a economia dos EUA cresceu
apenas 0,6%, contra um avanço de 4,9% um trimestre antes.
Na semana passada, o presidente do Fed, Ben Bernanke, já tinha dito
que uma recessão nos Estados Unidos era "possível",
mas esta é a primeira vez que o BC americano prevê oficialmente
esse cenário.
Ontem, o FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou que "a
crise ultrapassou os confins do mercado americano de 'subprime' para tocar
concretamente os principais mercados imobiliários, o crédito
do consumo e o crédito das empresas". No relatório, o
FMI não apontou nenhum sinal de "luz no fim do túnel".
Pelo contrário, o Fundo afirma acreditar que o ajuste pode continuar
em circunstâncias muito mais perigosas.