
ARTIGOS
PRIMEIRO
DE MAIO - 120 ANOS DE TRADIÇÃO
Lindercy
Lins - PROFESSOR
A data de
1° de maio de 1886 fora escolhida pelas entidades sindicais estadunidenses
como um dia de protestos pela redução na jornada de trabalho.
Nesse dia, 350 mil operários foram às ruas exigindo 8 horas
diárias de trabalho. Houve greves em vários locais. Em 4
de maio de 1886, no calor das manifestações, na Praça
Haymarket, em Chicago, um destacamento policial se posicionou para dispersar
um comício operário. Em torno da intervenção
policial ocorreu uma explosão no meio da multidão, ocasionando
a morte de 7 policiais, o que serviu como revide à repressão
estatal, provocando dezenas de mortes e prisão de operários,
entre eles, oito líderes do movimento, na maioria tipógrafos
alemães emigrados de tendência anarquista.
O episódio ficou conhecido como "Massacre de Chicago".
De maneira célere, os líderes foram condenados à
morte ou prisão perpétua. Chegavam de vários países
moções de repúdio ao ato da Justiça que tardiamente
reviu sua decisão em meio aos protestos que persistiam. No entanto,
era tarde, pois dos oito condenados, apenas três puderam usufruir
a liberdade. Os Mártires de Chicago tornaram-se símbolos
da luta pelos direitos dos trabalhadores, abraçados pelo movimento
operário mundial. Após os eventos de Chicago, eclodiu um
movimento internacional de afirmação da luta operária,
estabelecendo o dia Primeiro de Maio como marco para o processo de conquista
das oito horas de trabalho.
Em 1889, a 2ª Internacional dos Trabalhadores estabeleceu o Primeiro
de Maio como dia da mobilização operária internacional.
O resultado da mobilização de 1890 surpreendeu pela imensa
adesão dos trabalhadores. A data marcou tanto o ideário
do operário, começou a ser repetida, ano após ano,
os trabalhadores saíam das fábricas para relembrar o luto
pelos mártires e protestar por melhores condições
de vida.
O Primeiro de Maio carregava simbologia de resistência à
ordem, pois era um dia em que os trabalhadores não produziam a
riqueza para o patrão, numa alusão à transformação
da sociedade, na esperança de que todos os dias do ano fossem como
o Primeiro de Maio, um dia em que o operário deixaria de ser explorado
e exerceria a autonomia da produção, gozando dos direitos
à liberdade, à igualdade e à fraternidade, lemas
da Revolução Francesa que ressoavam na consciência
dos anônimos explorados.
No decorrer da história, observa-se constante disputa em torno
do mote político-ideológico da data, ora se constituindo
como "Dia do Trabalho", sob forma de homenagem do Estado aos
"colaboradores do progresso", desmobilizando os trabalhadores
ao oferecer um feriado, ora como "dia do trabalhador", ou seja,
destinado à reflexão dos trabalhadores sobre sua condição,
no intuito de sociabilização e combate ao Capital, no binômio
luto-luta. Atualmente percebe-se o esvaziamento das comemorações
de Primeiro de Maio que, ao longo dos anos, é burocraticamente
repetido como mera formalidade pelas Centrais Sindicais.

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