
ARTIGOS
NOTA
ZERO EM PRESTÍGIO!
Raimundo Antônio - Professor
Lendo o jornal
Gazeta do Oeste, de domingo, na coluna "Impressionando" de Carlos
Augusto, surpreendi-me com uma notícia que é, no mínimo,
para nos preocupar. Segundo uma pesquisa realizada pelas revistas Veja,
Educar e Nova Escola, apenas 2% dos alunos que vão prestar vestibular
optam pelo magistério.
Bem, até aí eu entendo como sendo uma opção,
digamos, racional e não vocacional - a não procura pelo
magistério -, por parte dos jovens. Se formos analisar, do ponto
de vista econômico, é claro que a carreira no magistério
não tem muitos atrativos: o salário é baixo, as condições
de trabalho são, na maioria das vezes, de risco, e ainda tem o
problema da falta de estrutura física e apoio humano no exercício
da profissão. Isso sem contar que a carga horária é
desgastante, onde o docente se vê obrigado a uma maratona diária
- às vezes em dois estabelecimentos de ensino -, para cumprir com
o seu vínculo empregatício.
Além do mais, optar pela carreira de professor, tendo inúmeras
outras ao alcance, inclusive, com incentivos dos órgãos
governamentais é, se não tiver inclinação
para o exercício da profissão, uma tremenda falta de esperteza.
Qualquer que seja a outra profissão - em nível superior,
a faixa salarial é acima do piso pago aos que iniciam carreira
na docência.
Essa debandada, em busca de outras carreiras, no entanto, acarreta sérios
problemas para os que permanecem nos quadros da educação,
pois abre uma lacuna muito grande entre as gerações. Segundo
o médico psiquiatra, autor de vários livros sobre educação,
Içami Tiba, hoje, a cada cinco anos nasce uma nova geração.
Isso significa dizer que, em termos de educação, a defasagem
é, de no mínimo, de quatro gerações.
E isto é inquietante. A velocidade com que esse mundo globalizado
caminha é infinitamente superior aos passos dados pelas instituições
de ensino - com relação à capacitação
dos seus quadros -, principalmente, com as ferramentas tecnológicas.
Se por um lado, o jovem já consegue, em cada esquina, contato com
o conhecimento - através das lan houses e nas suas próprias
residências - via internet -, por outro lado, o educador não
dispõe dessas ferramentas, muitas vezes, nem na instituição,
muito menos em sua residência, o que torna essa defasagem ainda
maior.
E este é um dado preocupante: o não treinamento do educador
para acompanhar a evolução das áreas novas de ensino,
especialmente, as ligadas às tecnologias de ponta. Se a instituição
não promove esta interação, dificilmente o educador
terá condições de, ele mesmo, promovê-la. Em
parte, as suas condições econômicas que não
o possibilitam dispor de uma reserva para se capacitar por conta própria;
e, por outro lado, o medo do novo, daquilo que ele não tem domínio
ou confiança para enfrentar faz com que ele não se recicle
e acompanhe essa evolução que, naturalmente, deveria fazer
parte do contexto de cada um. E o resultado é: salas sem nenhum
atrativo para trazer a clientela para dentro dela.
Mas, o problema não é só esse. Se fosse só
isso, ainda teria solução - pelo menos, a médio prazo.
O problema maior é, segundo a Fundação Carlos Chagas,
que destes 2% que têm inclinação para o magistério,
30% deles pertencem ao grupo das piores notas no boletim. Ou seja: num
universo de 1000 alunos que prestam exame vestibular, apenas 20 concorrem
em pedagogia e, dentre estes, 6 têm as piores notas dentre todos.
E aí vem mais uma preocupação: nem sempre a vocação
está em primeiro lugar - para a escolha do curso -, mas, sim, a
única esperança de ingresso em uma faculdade.
E aqui eu fico a me perguntar: o que fazer? Como promover o resgate da
escola como uma instituição social que lida com o bem comum
e nela se oferece condições de formar cidadãos? Penso
que a escola ainda tem condições de suscitar essa interação,
entre ela e a sociedade cibernética globalizada, em prol de um
modelo onde se contemple uma evolução mais uniforme entre
os vários conhecimentos profissionais, reconhecendo o valor de
cada um deles, para o desenvolvimento sócio-econômico e cultural
de um país.
O que não pode - e não deve ser um princípio - é
que a profissão que repassa e/ou constrói conhecimentos,
forma cidadãos, transforma uma sociedade e promove o desenvolvimento
cultural de uma nação, não seja, ela, reconhecida
como sendo um dos pilares do progresso, e esteja tão desprezada
pelas autoridades, ao ponto de servir como porta de entrada para quem
está inapto à docência, e não tem, como vocação,
a inclusão da heterogeneidade de uma sala de aula.

DICAS
DE LIVROS
JÚLIO
CORTAZAR
AS ARMAS SECRETAS
DANIEL DEFOE
ROBINSON CRUSOÉ
JOSÉ NICODEMOS
A VELHINHA DE PRETO
ARTIGOS
WILSON
BEZERRA DE MOURA
QUESTÃO DE GROSSOS
RAIMUNDO
ANTÔNIO
NOTA ZERO EM PRESTÍGIO!
CLÁUDER
ARCANJO
TRÊS MINICONTOS PARA UM DOMINGO DE MARÇO
J.
F. DA COSTA RÊGO
Canto poético
ENTREVISTA
REPORTAGEM
NOSSOS
VALORES
KEKELLY LIRA
DOCUMENT[ARIO
CINEMA PARA O INTERIOR
LITERATRA
CONCURSO DE POESIA DIVULGA VENCEDORAS
CULTURA
PONTO DE CULTURA
CARTAS
CARTAS DO IRMÃO MANOEL
COLUNA
MÁRIO
GERSON
A PROPÓSITO
DIEGO
PINHEIRO
NOW
|