
ARTIGOS
JAIME HIPÓLITO DANTAS
Wilson
Bezerra de Moura - Prof. Emérito da Uern e VICE-PRESIDENTE DA AMOL
A
convivência mesmo pouca e esporádica com as pessoas, é
o suficiente para formar um conhecimento que possa valer para definir
conceito, embora com as cautelas necessárias para não incorrer
em erros e formar juízo comprometedor que muito bem pode ser considerado
crime de calúnia. Conheci Jaime Hipólito nos bancos escolares
da Escola Técnica de Comércio União Caixeiral. Eu
aluno, e ele, meu professor, da disciplina Taquigrafia. Esta disciplina
para quem não conhece era a forma de escrever rápido, adotada
pelos jornalistas de antigamente quando não existia gravador ou
outros mecanismos modernos.
Já tinha eu notícia de sua atuação como promotor
de Justiça, atuante e eficiente, bom tribuno no exercício
da profissão mais eficiente ao peticionar, e como jornalista atuante
na imprensa do estado, nem se fala da sua desenvoltura. De projeção
no Estado, porém, o que mais consolidava sua eficiência,
era o conhecimento literário. Escrevia muito bem, dominava o latim,
o que naturalmente facilitava seu desempenho no escrever corretamente.
Jaime Hipólito inclusive tinha facilidade no Português, Latim
e outros idiomas, inclusive o Inglês. Por sinal, nesse ponto, ele
certa ocasião me deu uma dica da fórmula de redigir. Disse
ele, a maneira mais prática é oração curta,
porque muito longa não só embanana o leitor como também
dificulta esclarecer os fatos. Disse com maestria por ser ele um exímio
jornalista e excelente escritor, em pé de igualdade com os velhos
jornalistas mossoroenses, José Martins de Vasconcelos, José
Otávio Pereira Lima e Jorge Freire de Andrade, este último
pai de Dorian Jorge Freire, seu velho e fiel companheiro.
Iniciou a vida literária com o livro "Aprendiz De Camelô,
prefaciado por uma nobre figura do mundo cultural, Waldemar Cavalcante,
que logo ganhou espaço na aceitação pública,
especialmente dos intelectuais e com certeza foi o suficiente para colocá-lo
na crítica dos abalizados escritores nacionais. A técnica
recorrida pelo autor de Aprendiz de Camelô foi o ficcionismo de
que lhe era peculiar para dar uma característica de arte perfeita
que o integrou ao pensamento perfeito de um estilista.
Lembro-me de Jaime Hipólito Dantas, colunista dos jornais O Mossoroense,
A Gazeta, o velho jornal que existiu na cidade antes da GAZETA DO OESTE
e no Diário de Mossoró, do grupo Rosado, defendendo o seu
espírito legalista dentro do pensamento político em defesa
dos ideais populares, ao lado de Paulo Gutenberg, Elder Heronildes e outros
nomes mossoroense.

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