![]()
::Política
::Polícia
::Esporte
::Economia
::Lazer
::Informática
::Gerais
::Brasil
::Motores
::Ultimas Edições
::Charge
::Opinião
::Expediente
::Lista de e-mails
![]()
::Valdetário
::Santa Luzia
::Especial Canindé
::Especial Gazeta
![]()
::Mossoró
::Cidades
::Expressão
::TV
::Saúde
::Escola
::Rural
bruno.ricarte@bol.com.br
Latinidade
no Agronegócio
Jose Luiz Tejon - mestre em educação
O recente anúncio pelo Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento (Mapa) de que o Brasil alcançou a impressionante soma
de US$ 58,4 bilhões nas exportações do agronegócio
em 2007 foi amplamente comemorada. E com razão. Foi a maior soma da
história do País no setor, com um aumento de 5,6% em volume
e 12% em preço, em comparação ao ano anterior. Porém,
embora hoje se veja um movimento mais organizado por parte tanto de instituições
como da iniciativa privada de conquistar novos mercados, ainda temos que creditar
boa parte desse desempenho ao crescimento da economia mundial nos últimos
anos e à demanda por alimentos no exterior.
O Brasil ainda necessita de encontrar novos meios de evitar barreiras protecionistas
e conquistar seu espaço no comércio internacional de alimentos.
Para a eficiência e eficácia das exportações da
agroindústria nacional é preciso que os produtos levem na “bagagem”
um item imprescindível: valor agregado. Só dessa forma é
possível não só conquistar, mas principalmente, manter
os mercados para os quais fornecemos. Ao considerar alguns dos pontos básicos
das leis do comércio – demanda, preço e qualidade competitivos
– é fácil de se notar que ainda falta estabelecer estratégias
de marketing mais efetivas com vistas a garantir a credibilidade dos produtos
nacionais.
E exemplos de sucesso podem ser obtidos até mesmo em nossos principais
“clientes”. Na União Européia, destino de mais de
35% das nossas exportações, são muitos os exemplos. Os
conceitos de marketing de origem foram essenciais para propiciar uma valoração
a altura de produtos como os vinhos e champanhas franceses, o presunto de
Parma (Itália), vinhos do Porto (Portugal), entre outros. Aqui, criou-se
o Circuito do Vinho, um trajeto turístico pela Serra Gaúcha,
no qual o visitante conhece as belezas locais e prova os melhores vinhos ali
produzidos.
Ao consideramos que muitos dos países citados têm um elo ancestral
com o Brasil – a latinidade – que pode contribuir sobremaneira
com o fortalecimento das relações comerciais. Há muitas
características culturais e de comportamento que ligam todas essas
nações, tendo em vista a origem única. Se definidas e
devidamente aproveitadas podem contribuir com o estabelecimento de estratégias
de marketing que tragam resultados mais significativos.
Recentemente, Brasil e Espanha assinaram um acordo para incrementar as ações
de rastreabilidade animal como um adendo do protocolo de sanidade para exportação
da carne aqui produzida para aquele País. Mas, será que é
somente no campo político/burocrático que estão os “ventos”
que balançam a corda bamba desse comércio bilateral? Vale lembrar
que tratamos de um mercado que adquiriu do Brasil perto de 60 toneladas de
carnes no ano passado, 58% mais do que em 2006, o que gerou US$ 152 milhões
em divisas.
O produto brasileiro, produzido de forma mais natural, o boi de capim, a qualidade
da carne e traços subjetivos comumente identificados nos latinos –
amabilidade, hospitalidade etc. – não contam? Esses valores podem
ser utilizados conceitualmente em ações de comunicação
para criar identificação com o produto nacional, gerar mais
credibilidade e propiciar aumento de vendas em volume e em numerários.
É claro que há uma série de intempéries –
os chamados “gargalos” – na cadeia produtiva que precisam
ser resolvidas. Mas a presença do planejamento estratégico de
marketing ainda é desconsiderada por muitos agentes importantes do
segmento. A avaliação dos conceitos que proponho neste artigo
podem ser úteis para quem necessita se comunicar com diferentes povos.
Diferentes na atualidade, mas com muitas semelhanças devido à
origem comum. Itália, França, Portugal, Espanha, Romênia,
estados menores como Mônaco e Moldávia, além de regiões
da Bélgica e Suíça compõem uma parte significativa
da Europa. Essas são áreas em que a língua corrente é
latina. Temos que responder à pergunta: como nos idiomas, o que há
de comum entre os povos latinos? Depois utilizar o resultado para direcionar
uma ação mais efetiva na comunicação e no comércio
bilateral.
E temos de ser rápidos, já que há interesse de todas
as partes para que isso aconteça. Nos próximos dias 16 e 17
de maio acontece em Lima (Peru) a 5ª Cúpula União Européia-América
Latina e Caribe. Chefes de Estado e de Governo dessas regiões vão
se reunir para avaliar projetos de negociação se reunir para
avaliar projetos de negociaçs, o que hoao a origem comum. doso de livre
comércio e associação política entre UE, Comunidade
Andina, América Central e Mercosul.
Já em dezembro de 2007, a Assembléia Parlamentar Euro-latino-americana
(EUROLAT) realizou plenária tendo em vista o encontro. A EUROLAT é
constituída por 120 deputados provenientes do Parlamento Europeu, do
Parlamento Andino, do Parlamento Centro-americano e do Parlamento Latino-americano,
bem como por representantes dos governos nacionais do México e do Chile
e por membros da comissão parlamentar conjunta do Mercosul. A EUROLAT
tem três comissões – Assuntos Políticos, Segurança
e Direitos Humanos; Assuntos Econômicos, Financeiros e Comerciais; e
Assuntos Sociais, Ambiente, Educação e Cultura. A disposição
de representantes de tantas nações em reunirem-se em buscar
relações equilibradas entre si, beneficiando povos sob os mais
variados aspectos trazem perspectivas animadoras.
Como conseqüência, novas portas para o produto brasileiro podem
ser abertas e uma transformação nas relações de
comércio entre América e União Européia acontecerão.
O Brasil – e seus representantes no segmento do agronegócio –
não pode fechar os olhos para esse movimento. Diz a expressão
latina que difficilior lecito potior (a lição mais difícil
é a mais valiosa). A primeira fase da conquista de novos mercados já
passou. Enfrentamos barreiras das mais diversas, problemas de infra-estrutura,
entre outros. Alcançamos agora um novo estágio. Mas, ainda sim,
dificuldades virão e precisamos estar preparados.